segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Manual Antifa recomenda “mapeamento” dos opositores – o esquema socialista está por trás das perseguições e da censura

 


Em “Os Demônios”, Dostoiévski retratou a ação revolucionária de um grupo dedicado a fomentar o caos e assassinatos com finalidades políticas. A inspiração veio da própria efervescência militante da época e de um julgamento real, ocorrido em São Petersburgo, em torno de um homicídio cometido por membros de um grupo socialista contra um de seus comparsas. O escritor compareceu às próprias sessões da Corte para tomar notas a fim de subsidiar a trama.

Como ele apenas registrava um fenômeno que estava longe de se esgotar, passados mais de cento e cinquenta anos a vida continua repetindo os modelos eternizados pela literatura.

O movimento antifa é uma militância socialista que usa o combate ao fascismo como pretexto para poder atingir os seus alvos. Trata-se de um movimento de vocação internacional em sua forma e em suas finalidades.

Nenhum deles tem um conceito certo sobre fascismo ou nacional-socialismo, mas se movimentam com base em imagens, percepções e sensações que essas palavras evocam. Há décadas, para o movimento comunista, todo tipo de anticomunismo precisa ser caracterizado como fascismo.

Uma observação assevera bem o modo de proceder desse tipo de máfia ou culto, eles não te matam por ser fascista, te chamam de fascista para poder te matar. O recente assassinato de um proeminente ativista norte-americano é apenas mais um capítulo no histórico assassino dos movimentos de esquerda, porque “todo comunista é um assassino, só espera a oportunidade”.

Se um dado grupo se considera legitimado a suprimir a vida dos opositores, esse fator deve ser submetido a uma análise fria.

O manual antifa (de Mark Bray) recomenda mapear "inimigos" no bairro e ganhar a confiança da comunidade. Ele espera que os membros pertençam a uma rede e coletem nomes e informações residenciais sobre conservadores e outros indivíduos patrióticos. Eles têm medo de se chamar de comunistas,  então dizem simplesmente "antifascista", e usarão essa palavra como pretexto para fazer o que quiserem, é um grupo terrorista e toda organização antifa deve ser desmantelada, portanto a classificação dos antifas como um grupo terrorista é acertada.

As ações bem sucedidas são tomadas após uma colheita satisfatória de informações. Uma investigação provavelmente reuniria informações sobre novos assassinatos que estão sendo planejados no Discord ou quaisquer meios semelhantes a isso exatamente neste momento, tivemos um vislumbre recente com o atentado ao ativista Charlie Kirk.

Aqui colaciono algumas citações sobre isso, encontradas no manual:

 “Faça sua pesquisa. Uma das coisas mais eficazes que você pode fazer como um antifascista é entender seu oponente, saber onde ele se reúne, como ele se organiza. Então seja eficiente em como você acaba com eles”.

– JIM, REINO UNIDO

“Compreenda quais recursos a extrema-direita possui, colete informações pessoais e públicas sobre onde eles vivem, trabalham, o que fazem, quais ideias estão espalhadas em suas sociedades – para poder reagir na mesma escala”.

– YAN, RÚSSIA

“O antifascismo deve ser liderado pela inteligência... você não pode fazer as coisas de forma abstrata... Saiba o que eles estão fazendo, o que eles estão falando, saiba quais grupos destruir, aprenda sobre suas facções internas, trabalhe nisso, aproveite, divida e conquiste”.

– PAUL BOWMAN, REINO UNIDO

(BRAY, Mark. Antifa – O manual antifascista. P. 257/258).

Essas recomendações sempre são feitas com uma linguagem mesclada com slogans e fabricações que visam legitimar os atos de seus agentes. Todo esquerdista precisa se apoiar numa fraude conceitual para melhor exercer o seu poder e justificar transgressões perante a mídia, a comunidade, as autoridades e seus familiares.

O tom é sempre de caráter apelativo, visando instigar a militância ativa, os protestos que ocorrem nos Estados Unidos tentando blindar os imigrantes ilegais e enfraquecer agências de segurança têm congregado militantes organizados.

Um relatório do Congresso americano[1] reuniu mais alguns pontos sobre o padrão de ação desses internacionalistas:

 

A literatura do movimento antifa enfatiza várias maneiras de “tomar ação”. A mesma fonte do movimento que descreve as “obrigações” antifa incentiva os seguidores a perseguirem algumas atividades que parecem ser protestos comuns e legais, bem como outras atividades que parecem mais confrontacionais. Entre suas sugestões, ela incentiva os adeptos a fazerem o seguinte:

- Desenvolver uma presença online/nas redes sociais para promover visões antifa e recrutar.

- Monitorar as atividades de grupos como a KKK, skinheads racistas e neonazistas, bem como pessoas que se descrevem como nacionalistas brancos, entre outros.

- Realizar arrecadações de fundos e montar mesas promocionais em uma variedade de eventos públicos para recrutar novos membros.

- Participar de comícios realizados por organizações afins que se opõem a pessoas ou grupos que os apoiadores antifa chamam de fascistas. Grupos antifa também organizam suas próprias contramanifestações se opondo a comícios fascistas.

- Forçar organizações externas que hospedam palestrantes ou comícios com inclinação fascista a cancelarem tais eventos. Nesses casos, o protesto pode envolver obstruir o acesso aos locais e o lobby intenso junto aos anfitriões. Esse tipo de atividade tem sido chamado de “no platforming” (ou seja, negar aos oponentes uma plataforma pública). Aqueles que defendem a liberdade de expressão têm criticado especialmente esses esforços.

- Remover ou desfigurar panfletos afixados publicamente de inimigos percebidos.

- Publicizar informações sobre inimigos percebidos. Isso pode incluir afiliações a grupos (como a KKK), endereços residenciais, fotografias, números de telefone, perfis em redes sociais e seus empregadores. Esse tipo de atividade, frequentemente envolvendo pesquisa online legal, é chamado de doxxing. Em alguns casos, pessoas inocentes (casos de identidade equivocada) podem ser alvo e ter suas vidas perturbadas pelo doxxing, embora ativistas antifa envolvidos nesse tipo de trabalho afirmem evitar tais resultados.

- Desenvolver regimes de treinamento de autodefesa envolvendo artes marciais e os limites legais que regem itens de autodefesa, como spray de pimenta, bastões retráteis e armas de fogo. Onde e como os seguidores antifa usam esse treinamento e equipamento provavelmente depende em parte da ameaça representada pelos oponentes em comícios ou do risco de prisão e condenação criminal.

 

Colocada a questão nesses termos, estariam os anti-antifa se posicionando ao lado dos fascistas? A armadilha linguística foi confeccionada justamente para isso, eles dependem da mentira e propaganda para sobreviver, mantendo uma falsa aura heroica em suas ações e manifestações, como se estivessem distanciados dos seus irmãos socialistas travestidos de direita, combatendo ativamente o fenômeno autoritário dos tipos de terceira posição.

Mas a verdade é que, para fins da luta ideológica, eles estão pouco se importando quanto à real natureza dos movimentos como os skinheads, nacional-socialistas ou Ku Klux Klan, na medida em que os comunistas manobram a seu bel prazer tais palavras, transformando-as em meras nomenclaturas sem substância, promovendo o enquadramento de seus opositores com a imagem “fascista”. As constantes tentativas de vinculação do carimbo fascista a pessoas que participam do debate público acabam sendo uma campanha para tornar ataques a tais figuras como se fossem legítimos e mandatórios e, como a mentira para o socialista é de caráter existencial (ele depende dela para viver), o militante fará o seu trabalho fingindo estar preocupado com democracia.

Discrição, mapeamento e ação violenta assassina. Pode-se concluir que qualquer militante socialista é um provável marcador de alvos e nunca será digno de confiança, por muito tempo se sustentou a ilusão de relações harmônicas e troca de ideias, mas isso só pode ser feito quando as convicções não atingiram o ponto da cristalização.

Quando o regime de 88 tinha seus anos iniciais, começou a haver uma rediscussão sobre o regime militar. A investigação feita pela própria organização vermelha chegou ao número de pouco mais de 400 pessoas mortas pelo regime, envolvidas na guerrilha rural e urbana.

Processos internacionais também tiveram o papel de acentuar a versão comunista, que buscava enquadrar os governos militares como violadores de direitos humanos e responsáveis por um verdadeiro massacre, como se se tratasse de holocausto ou algo do tipo.

No regime democrático, eles foram convidados a mostrar a que vieram. Além de subverterem o instituto da anistia para rediscutir a punição aos militares responsáveis pela repressão à guerrilha e ao terrorismo, passaram a construir o pano de fundo para as novas oposições que viessem a surgir, ainda que desvinculadas do regime antecedente, mas contrários ao projeto de poder socialista.

E aqui chegamos à constatação de que uma de suas pautas fundamentais refere-se à ideologia feminista. Vira e mexe tem aparecido trabalhos acadêmicos focados na investigação do fenômeno masculinista e a estrutura feita para promover essas pesquisas é a mesma utilizada pelos comunistas para outros propósitos. Nela também observaremos o padrão de mapeamento, repressão e consolidação sempre que os socialistas atingem uma instância de poder.

No tocante ao feminismo, os centros ideológicos da área de humanas ocupam posição de destaque na construção das falsas teses que irão municiar órgãos de estado na sanha persecutória.

Esses trabalhos acadêmicos cumprem uma necessidade de programa de ação ideológica, não científica, e correm ao lado de ONGs que servem de estrutura para a narrativa e blindagem dos governos de esquerda e seus aliados.

Eles se posicionam na condição de vigilantes de um perigo social emergente e procedem ao cumprimento da primeira etapa de todo projeto de ataque censor mais contundente. Aqueles que possuem uma memória normal haverão de recordar o GPS ideológico feito pela Folha de São Paulo em 2019, fazendo uma varredura sobre influenciadores anti-esquerda, fato que precedeu a tomada de ações oficiais pela polícia política.

Então esses documentos de universidades vão sendo compilados paulatinamente, com o viés já direcionado e linguagem adaptada para o convencimento das estruturas jurídicas e judiciárias (as quais, já vimos, não passam de espuma e superficialidade, cumpridoras de comandos e necessidades impostas pela hegemonia ideológica previamente construída).

Todo o mapeamento feito em torno da questão antifeminista está sendo realizado por centros tomados pelos esquerdistas, são os conglomerados de pesquisadores, professores, alunos e estagiários comprometidos com o discurso hegemônico ideológico em detrimento das certezas científicas. Ocuparam posições para isso, então eles repassam para operadores incumbidos de colocar na prática o fraudulento “combate à misoginia”.  

Considerando que todo processo de perseguição precisa ser gestado, planejado e conduzido. Se alguma ação tiver de ser feita contra esse antifeminismo espalhado, já é possível ao menos identificar quais são as forças por trás dessa repressão e o “sujeito oculto” precisa, então, ser devidamente exposto: são os socialistas.

A atividade de censura e repressão é alimentada, formada, conduzida e efetivada por elementos socialistas, seus órgãos de propaganda e persecução. Simples assim.

É necessário sempre ter em mente quem está por trás da perseguição ao trabalho de exposição sistemática das inconsistências e fraudes feministas, tanto em sua natureza ideológica quanto em sua forma institucional. Lendo algumas páginas dos trabalhos acadêmicos aqui anexados, disponíveis na internet, observa-se que seus autores se posicionam como vigilantes de uma misoginia difusa que supostamente arriscaria a segurança das mulheres, marcando esse macrocosmo redpill como fonte do problema e frequentemente associando-o a opositores das correntes de esquerda.

Primeira questão, a clássica pergunta sobre quem vigia os “vigilantes”, que inclusive são pagos com recursos públicos para produzir esses documentos?

Segunda questão: a quem interessa ocultar os responsáveis pela alimentação do complexo de censura, focando-se apenas nos efeitos remotos e finais da perseguição, como o fechamento de canais masculinistas ou mesmo prisões de influenciadores X ou Y; a necessidade de se precaver com instrumentos de segurança e mascaramento digital, instigando sempre um senso de perigo e de autoproteção, mas sem dizer expressamente de onde emana o foco da perseguição aos masculinistas, como se se tratasse de uma chuva forte ou de um terremoto, um caso fortuito ou força maior, desvinculado de um projeto ideológico bem determinado e decididamente esquerdista? A quem interessa que os sujeitos ocultos permaneçam ocultos?

Grosso modo, essa é a questão de ouro envolvendo amigos e inimigos.

O complexo de censura construído pela esquerda é completamente inconciliável com a crítica ao sistema por ela mesma formado, e a pauta feminina é um elemento nuclear de sua agenda. O bloco socialista sabe disso, os antifeministas também devem ter isso bem claro.

As pautas de esquerda vêm indexadas umas às outras e o projeto de luta de classes já teve a sua modalidade de luta de sexos consolidada, não se pode comprar uma sem comprar a outra. Estão mais que interligadas, pertencem ao mesmo sistema, tanto assim que fazendo oposição a uma os socialistas interpretarão como se também se estivesse fazendo oposição à outra, por isso medidas que beneficiem, institucionalmente, interesses de classe do sexo feminino serão inócuas se o combate estiver sendo travado contra outro ponto da agenda revolucionária, a qual se combate integralmente.  

Por fim, destaco que o mapeamento ideológico conta até mesmo com a análise de emojis:



[2]

 

Abaixo alguns trabalhos de mapeamento feitos pelos setores ideológicos que ocupam espaço nas posições acadêmicas:

 

Machosfera no Brasil: desafios práticos e éticos na cobertura jornalística da misoginia nas redes sociais. Disponível em https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/3146 ; https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/download/3146/2210/16062

A "MACHOSFERA" E AS NOVAS MASCULINIDADES: A RECEPÇÃO BRASILEIRA NAS REDES SOCIAIS. Disponível em  https://www.sbs2025.sbsociologia.com.br/arquivo/downloadpublic?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9BUlFVSVZPXCI6XCI1NjQ4XCJ9IiwiaCI6ImEyNmViNmM2NzA0Y2FhZjcwNTc1NzhlMWY5MjcxOGI1In0%3D

“É pra rir?”: O uso dos memes na machosfera brasileira para sustentar ideologias misóginas. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/10441736.pdf

Um bando de lobos solitários: Uma análise dos memes de mentalidade Sigma na machosfera do Instagram brasileiro. https://periodicos.pucminas.br/dispositiva/article/view/30584

Trabalho de Conclusão de Curso – “Movidos pelo ódio: a machosfera e o desejo de supremacia masculina”. https://bdm.unb.br/bitstream/10483/38494/1/2023_ChristianCaetanoDeLima_tcc.pdf

Red pill, incels e a misoginia da manosfera. https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/229349fb-aefa-45bd-876e-bd4ec3bda486/tc4936-Jose-Silva-Alerta.pdf

Da manosphere à machosfera: práticas (sub)culturais masculinistas em plataformas anonimizadas. https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/download/27703/15230/70846

A manosfera brasileira. https://www.sbs2025.sbsociologia.com.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiNzYxXCJ9IiwiaCI6IjczMDVmNWVjMmMzMDczODMzNGRmMzdmMzkxYzI2YmNkIn0%3D

Misoginia online: manosfera e a red pill no ambiente virtual brasileiro. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/276712

IDEOLOGIA REDPILL E IMPACTOS NA VIOLÊNCIA DE GÊNERO. https://revistageo.com.br/revista/article/view/1142

RED PILL E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES. https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/download/8381/5828/23804

MACHISMOS VIRTUAIS: DISCURSOS MASCULINISTAS EM CANAIS RED PILL BRASILEIROS DE YOUTUBE. https://exaequo.apem-estudos.org/files/2025-07/n51-a02-v-ferreira.pdf ; https://doaj.org/article/5b4d275459504f68a60b5e521254bdc8

I NEVER WANNA MISS YOU AGAIN: Uma análise da utilização do Tik Tok na comunidade redpill no Brasil. https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/40432/3/I%20Never%20Wanna%20Miss%20You%20Again%20Uma%20An%c3%a1lise%20da%20Utiliza%c3%a7%c3%a3o%20do%20Tik%20Tok%20na%20Comunidade%20Redpill%20no%20Brasil%20%e2%80%94%20Yasmin%20Morais%20Farias.pdf

Propiciação algorítmica ou reação às políticas de gênero? Antifeminismo e conspiritualidade nas novas mídias digitais. https://www.scielo.br/j/mediacoes/a/bFvwZf5kvWHwWHLx9yJX3rb

Representações sociais emergentes no universo Red Pill e MGTOW brasileiro. https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/download/2870/2181/15370 ; https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/2870

“Tome a pílula vermelha e saia da matrix!”: Discurso e perspectivas da ideologia red pill no Brasil. https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/23829/1/JBidao.pdf

REDPILL: A PROPAGAÇÃO ONLINE DE UM MOVIMENTO MACHISTA. https://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2024/anais/arquivos/RE_0864_0519_01.pdf

Alfas, redpills e outras polêmicas tragicômicas no YouTube. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/10441751.pdf

O movimento red pill no Brasil e os desdobramentos da misoginia online. https://www.direitoshumanos2025.abrasme.org.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiNTU3XCJ9IiwiaCI6ImVlNjcxN2ZjZGJkYmJmZjAxOWIxYjcyNTY0NTRhODQ1In0%3D

O consumo de discursos red pill e antifeministas na ascensão do conservadorismo nas mídias sociais. https://proceedings.science/comunicon/comunicon-2025/trabalhos/o-consumo-de-discursos-red-pill-e-antifeministas-na-ascensao-do-conservadorismo?lang=pt-br

A ASCENSÃO DO MOVIMENTO RED PILL NO BRASIL: ANÁLISE DA PROPAGAÇÃO DE IDEAIS MISÓGINOS NO INSTAGRAM. https://cdn.prod.website-files.com/655df2405bb5d917601b0774/67d047de9b98be40b43dd787_Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Carolina%20Fontes%20Lima%20Ten%C3%B3rio.pdf

Argumentação polêmica e ideologia em comentários online sobre o feminismo e o red pill. https://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/download/4818/2875

ENTRE POPULISMO PENAL E POPULISMO DIGITAL: discursos masculinistas e a comunidade Red Pill no YouTube brasileiro. https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/view/66936

Narrativas masculinistas e misoginia digital: o papel de Thiago Schutz na propagação do discurso Red Pill no Brasil. https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19649 ; https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/19649/1/analuizavieiramorais.pdf

A CASA DOS HOMENS E MOVIMENTO REDPILL/MGTOW: ETNOGRAFIA DE GRUPOS MISÓGINOS EM REDES SOCIAIS NO BRASIL. https://publicacoes.unigranrio.edu.br/amp/article/view/9095

Categorização das novas masculinidades em ambientes socioinformacionais: reflexões a partir dos estudos de gênero. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/9561214.pdf

Os segredos da pílula vermelha. https://revistas.usp.br/matrizes/article/download/223269/217058/780486 ; https://www.researchgate.net/publication/395257973_Os_segredos_da_pilula_vermelha_machismo_e_imaginacao_reacionaria_na_internet

Antifeminismo, desinformação de gênero e grupos masculinistas: reflexões da CI e biblioteconomia no enfrentamento à misoginia no ambiente universitário. https://portal.febab.org.br/snbu2025/article/download/4012/3353

Masculinidades em disputa, violência contra a mulher e os grupos reflexivos. https://ojs.defensoria.sp.def.br/index.php/RDPSP/article/view/221 ; https://ojs.defensoria.sp.def.br/index.php/RDPSP/article/view/221/99

“APRENDA A EVITAR 'ESSE TIPO' DE MULHER”: ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS E MONETIZAÇÃO DA MISOGINIA NO YOUTUBE. https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/publicacoes/RelatrioCompletoEstratgiasdiscursivasemonetizaodamisoginianoYouTube.pdf

A instrumentalização da misoginia: uma análise do fenômeno masculinista no cenário brasileiro. https://static.casperlibero.edu.br/uploads/2025/11/RafaelaLima_Artigofinal.pdf

MASCULINISMO E MISOGINIA NO PROGRAMA JOVEM PAN MORNING SHOW. https://www.scielo.br/j/ccrh/a/qKPYpt4HHbWPvnq94BmDVCn?lang=pt

A queda na toca do coelho branco: o ciberativismo masculinista na formação de grupos de ódio e extrema-direita no Brasil. https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/255954

DOS MOVIMENTOS MASCULINISTAS AO MAL-ESTAR MASCULINO. https://periodicos.furg.br/divedu/article/view/19953

MASCULINISMO: misoginia e redes de ódio no contexto da radicalização política no Brasil. https://web.sistemas.pucminas.br/BDP/PUC%20Minas/Home/Visualizar?seq=1F1530577D6D5382BA593D70E59885EA

MISOGINIA, MASCULINISMO E RESISTÊNCIA NAS REDES SOCIAIS. https://proceedings.science/cshs-2023/trabalhos/misoginia-masculinismo-e-resistencia-nas-redes-sociais-os-ataques-a-lola-aronovi?lang=pt-br

Virilidade e os discursos masculinistas: um "novo homem" para a sociedade brasileira. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1290220

DE MERDALHERES A CONSERVADIAS: O DISCURSO DE ÓDIO MASCULINISTA. https://encontro2023.anpocs.org.br/arquivo/downloadpublic?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNToiYToxOntzOjEwOiJJRF9BUlFVSVZPIjtzOjQ6IjgwNTIiO30iO3M6MToiaCI7czozMjoiNGE1ODZjZTczMjYyOWY0YWY2YzVjYzYyOTVkNDczNDgiO30%3D

MOVIMENTOS MASCULINISTAS E A DISSEMINAÇÃO DA MISOGINIA, MANIFESTOS DE VIOLÊNCIA E DE GÊNERO. https://biblioteca.univali.br/pergamumweb/vinculos/pdf/ANNI%20KAROLINI%20CABRAL%20DIAS.pdf

Desinformação de gênero facilitada pela tecnologia: Gendered disinformation. https://periodicos.ufs.br/conci/article/download/23717/17847/79471

Análise Dos Conteúdos Antifeministas Na Rede Social Instagram. https://www.direitoshumanos2025.abrasme.org.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiNDQxXCJ9IiwiaCI6ImMyODNiM2Y1MzYyNmYxOTdlZjY5MWI4MDQ1NzUwOTI1In0%3D

Antifeminismo no Instagram: como conservadores atribuem ao feminismo a culpa por problemas sociais. https://sistemas.intercom.org.br/pdf/submissao/nacional/17/07202024222318669c63060175b.pdf

O CONTRADISCURSO DE RESISTÊNCIA FEMINISTA EM INTERAÇÕES ONLINE: ESTRATÉGIAS NO COMBATE AO ANTIFEMINISMO. https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/56524 ; https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/56524/5/2020_dis_scabreu.pdf

Extremismo e lutas por falso reconhecimento: uma análise dos grupos masculinistas brasileiros (Bruna Silveira Martins de Oliveira).  https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/742526a0-6da0-4d9f-869d-8026fd4fa480/content

 

 

REFERÊNCIAS

BRAY, Mark. Antifa – O manual antifascista. P. 257/258 – versão digital.

COUTINHO, Sérgio. A Revolução Gramscista no Ocidente: a concepção revolucionária de Antônio Gramsci em Cadernos do Cárcere. P. 53 – versão digital

O apoio da Rússia a movimentos como Antifa e Black Live Matters https://www.estudosnacionais.com/42767/o-apoio-da-russia-a-movimentos-como-antifa-e-black-live-matters/

Todo socialista é um assassino, só espera a oportunidade. Mensagens de aprovação ao atentado contra Kirk. https://x.com/reportersalles/status/1966111078238269840

domingo, 18 de janeiro de 2026

As feministas tomaram parte ativa na ascensão do regime teocrático dos Aiatolás

 



Poderíamos traçar o feminismo desde sua origem, compilando um por um os marcos fundamentais pelos quais a geração posterior de feministas constrói a sua retórica, apoiando-se ou confrontando na antecedente. A sua citação é possível, sim, mas a expansão com comentários suplementares ficará para depois, uma vez que a exposição minuciosa das ideias centrais desses documentos está fora do escopo neste exato momento.

Em paralelo ao contexto revolucionário francês do século XVIII, temos a publicação da obra Reivindicação dos direitos da mulher (1792), por Mary Wollstonecraft, ao lado do ativismo de Olympe de Gouges que visava estender às mulheres os valores encampados pelos revolucionários.

Com reveses, de maneira gradual, o caldo feminista vinha sendo encorpado desde então, mas o seu caráter é de rebelião contra a figura de autoridade, casando com os propósitos das revoluções. A Revolução Francesa deu o pontapé inicial para futuras quebras das estruturas sociais, foi um ensaio para as subsequentes revoluções e sempre gerou entusiasmo em Vladimir Lênin.

Passando ao século seguinte, houve a Convenção de Seneca Falls (1848), por Elizabeth Stanton e Lucracia Mott, que reuniu um grupo minoritário de homens com uma maioria feminina, a fim de emitir uma Declaração, que pugnava pela extensão de direitos às mulheres norte-americanas, fazendo um paralelo com a declaração de independência.

Em 1884 eis que surge uma base fundamental para o feminismo e a questão de gênero, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” de Friedrich Engels, com alguns apontamentos reunidos por ele, escritos pelo então falecido Karl Marx. Essa obra é responsável por conferir às relações entre homens e mulheres a tônica de luta de classes, que persistirá até os dias atuais como patrimônio comum do movimento revolucionário.

Engles escreveu que:

Em um antigo manuscrito inédito, elaborado por Marx e por mim em 1846, encontro o seguinte: “A primeira divisão do trabalho foi a que ocorreu entre homem e mulher visando à geração de filhos”. E hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo sexo masculino[1]. (grifos nossos)

 

Seguiu-se uma série de etapas. Em primeiro lugar, não se colocaram contra a religião, apenas buscaram reconfigurá-la (Seneca Falls ocorreu em âmbito protestante, numa Igreja Wesleyana).  Com a maturação da questão, desprendeu-se completamente das amarras sociais e não mais sentiu a necessidade de pagar tributo aos valores tradicionais, passando à negação ativa, ao trabalho crítico continuado por nomes como Beauvoir, Betty Friedan, Margaret Sangers, Kate Millet, Solanas, Judith Butler, dentre outros integrantes do hospício da pseudociência que funciona como motor do fenômeno revolucionário. As feministas atacam a religião em duas frentes simultâneas: primeiro, enxertando conteúdo herético e conspurcando conceitos religiosos (exemplo: estudos de ideólogos questionando se o conceito de Deus é masculino, etc..); em segundo plano, classificando a religião cristã como produto paternalista que serve aos interesses de uma sociedade machista.

No primeiro volume de sua obra “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir dissertará sobre a associação do feminismo com o socialismo, asseverando que:

 

O feminismo revolucionário reata com a tradição saint-simoniana e marxista; (...) Em 1879, o congresso socialista proclamou a igualdade dos sexos e, desde então, a aliança feminismo-socialismo nunca mais foi denunciada, porquanto é da emancipação dos trabalhadores em geral que as mulheres esperam a liberdade, não se prendendo senão de um modo secundário à sua própria causa[2].

 

Essas questões, que num primeiro momento nos parecem teóricas, podem ser complementadas com um evento ativista do campo esquerdista ocorrido pouco mais de um mês atrás. 

Em 7 de dezembro de 2025 houve um ato na Avenida Paulista contra o feminicídio, a principal organização responsável foi o Movimento Nacional Mulheres Vivas (também chamado de Levante Mulheres Vivas). Usando de seu poder de mobilização de grupos sociais à frente da guerra cultural, esse ato foi repercutido em diversos estados da federação.

A política psolista Sonia Guajajara, atual ministra dos povos indígenas, escreveu: “O ato na Av. Paulista deu o recado: mulheres vivas! Hoje estive no ato em Brasília, mas não pude deixar de acompanhar as imagens de São Paulo. Uma sociedade que se cala em relação à violência contra a mulher jamais poderá avançar. Pelo Brasil inteiro, vamos juntas![3]

Navegando no delírio de que haveria um extermínio de mulheres no País somente pelo fato de serem mulheres, o ato reuniu agentes políticos como Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Luciene Cavalcante (PSOL-SP).

A CUT (Central Única dos Trabalhadores)[4] também esteve presente na manifestação, divulgando em suas redes sociais as cidades e os respectivos horários.

Influenciadores de esquerda, como a celebridade Luísa Sonza também marcaram presença no evento, que embora não tivesse caráter partidário expresso, nem por isso deixou menos evidente em qual espectro da política se encontrava, havendo gritos de oposição ao tal do bolsonarismo.

Os esquerdistas que fogem da linha e apresentam comportamento, aos outros tidos como machistas, são denunciados como esquerdomachos, e seu comportamento desviante é objeto de censura e zombaria por parte da própria bolha de militantes.

Podem apontar o quanto quiserem para tais ou quais medidas feministas aprovadas em governos com viés direitista, o feminismo continuará com o seu DNA esquerdista e figurará na condição de força política acoplada aos projetos revolucionários. O coletivo feminista que organizou essa manifestação opõe-se a governos tachados de conservadores, como o de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), acusado de reduzir verbas para delegacias da mulher e negar proteção policial ao ato[5].

Ao lado da entidade principal que coordenou o evento, várias outras estiveram presentes. Não houve presença de entidades vinculadas à direita, o que foi traduzido pelos órgãos de propaganda como a baixa preocupação pelo bem estar das mulheres por parte dos direitistas, reforçando a imagem de misoginia e desprezo à condição feminina.

Dito isso, o movimento feminista é politicamente organizado e ideologicamente orientado em vistas dos objetivos práticos das forças políticas às quais ele se encontra vinculado. No caso da revolução iraniana de 1979, várias entrevistas e fontes de participantes daquela agitação política atestam como as frentes progressistas foram fundamentais para a ascensão do atual regime, inclusive frentes feministas. Sim, as feministas fizeram parte ativa do esforço conjugado que possibilitou a ascensão do Aiatolá.

Chahla Chafiq[6] era uma feminista iraniana que apoiou a derrubada do Xá em 1979, depois teve que viver exilada na França. Em uma entrevista, ela relata que existiam vários grupos discretos e, quando a revolução aconteceu, eles vieram à tona. Nesse contexto, antes do estabelecimento total do regime, ela havia integrado “um círculo de marxistas-leninistas e (...) uma organização estudantil de esquerda”.

Quanto aos agrupamentos revolucionários, havia os Tudeh, de viés pró-soviético; os Fedayeen, também pró-soviéticos, porém com simpatias cubanas mais acentuadas; os Line Three (Linha Três), esquerda independente; por fim, os Mujahedin, esquerda islâmica.

No fim das contas, os grupos revolucionários passaram a apoiar os religiosos teocráticos, enxergando neles uma corrente “anti-imperialista”.

Obtido o poder, as revoluções precisam promover o alinhamento e daí se segue um período de expurgos, com a consolidação da corrente revolucionária prevalente, todos os demais grupos de esquerda que a auxiliaram passam a ser alvos e subjugados pelo partido dominante. Isso aconteceu na França, na Rússia, na China, na Nicarágua, etc...

Enquanto Khomeini retornava do exílio e montava a estrutura autocrática de censura, os grupos esquerdistas que auxiliaram na edificação do regime ainda assim não o considerava inimigo número um, posição esta ocupada pelo tal do “Ocidente”.

Outra opositora do Xá que se somou à revolução de 79 foi Minoo Jalali, que também nutria expectativas de liberalização, frustradas pelos muçulmanos.

Uma coisa interessante contida na entrevista de Chahla Chafiq, é o fato de ela mencionar que, embora pertencesse a grupos socialistas contrários ao viés religioso dos islamistas de esquerda, isso não os impediu de apoiarem os mullah como contrapontos ao Ocidente. O socialista crítico do cristianismo, que gosta de posar de racionalista materialista, pode chegar ao ponto de capitular diante de um regime teocrático ou facilitar a sua ascensão.

Houve um surto pós-revolucionário no Irã após a subida do regime teocrático, mas as feministas já haviam cumprido o seu papel e foram devidamente reprimidas, como idiotas instrumentais que são e nunca deixaram de ser, ao contrário do que vem sendo sustentado em outras paragens. O papel desempenhado por esses grupos é o de trabalho crítico, sua função é erodir as bases da sociedade em que se encontram, explorando as contradições nela existentes.

Qual seria, então, a posição delas no que toca à questão islâmica e a República Revolucionária do Irã? A posição das feministas foi o de apoio à revolução iraniana, vista como um salutar golpe desfechado contra o imperialismo e ocidentalismo. Imaginava-se que o islamismo revolucionário seria uma etapa provisória, posteriormente substituída por estrutura política de feições diversas, laicas até. Apoiaram naquela oportunidade, e continuam apoiando até agora, já que os mesmos partidos políticos que abrigam pautas feministas por excelência são aliados do regime de Teerã, tanto PT, quanto PSOL ou a esquerda norte-americana e europeia encaram os recentes ataques como violações à soberania iraniana, críticas ocasionais sobre a questão das mulheres são seguidas por apoio à manutenção do regime.

Elas entendem que, apesar das imposições do Estado teocrático, aquele regime compartilha do mesmo inimigo que elas, então as críticas não são tão contumazes quanto deveriam, caso o objetivo dos movimentos feministas fosse de fato a igualdade e o bem estar das mulheres.

Recentemente, a feminista brasileira Isabella Cêpa teve que se exilar na França devido à perseguição política por críticas feitas a candidatos da ideologia de gênero. Tendo notícia de que o inquérito contra ela fora arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, ela resolveu retornar ao País, mas adivinhem o que aconteceu... foi processada novamente pela mesma pessoa.

Hoje, a República Revolucionária pertence ao eixo esquerdista internacional formado por China, Rússia e regimes socialistas como os da América Latina. Todo o conglomerado socialista que abriga pautas feministas deseja igualmente a manutenção do regime dos Aiatolás, pouco importando a repressão que este venha exercer contra as mulheres iranianas.

Falsa, portanto, a alegação de que a população feminina que integra a revolta iraniana é um elemento militante feminista, já que toda a rede internacional busca blindar o governo de Teerã das críticas e oposição necessária, pois compartilham da aversão nutrida pelos revolucionários com relação ao “grande satã” (Estados Unidos) e o “pequeno satã” (Israel).

A afinidade entre grupos islâmicos terroristas e a esquerda não é de hoje. Judith Butler, a ideóloga feminista de terceira geração, ao tratar de grupos como Hamas, confessou que fazem parte da rede global de esquerda, os grupos militantes islâmicos integram o mesmo front de esquerda no qual se situa o feminismo, daí a passividade geral das militantes com relação às imposições da sharia contra as outras mulheres. (Judith Butler : "Le Hamas et le Hezbollah font partie de la gauche mondiale", disponível em https://youtu.be/JTxsPkPHOMs?si=4Kijt3RVkDKLcEZf)

Por décadas, os países ocidentais foram alvo de operações psicológicas e de guerra cultural visando alterar o comportamento de suas mulheres e, a partir delas, modificar o comportamento geral, as sementes de revolta que se encontram no campo inimigo não devem ser dispensadas.

Trocando em miúdos: com fotinha ou sem fotinha de mulher fumando cigarro, o regime podre dos aiatolás merece ser desafiado, principalmente quando aqueles que o desafiam podem ser sancionados pela pena capital, o que demonstra uma coragem que muitos no Brasil não teriam.

Então, ponto a ponto, os sofismas são deixados de lado, nenhum esquerdista tem moral para falar nada sobre antifeminismo, já que o feminismo se trata de um produto das correntes revolucionárias, e revolução é algo que deve ser rejeitado integralmente, tanto nas propostas, quanto nas suas causas e seus efeitos.

A esquerda pariu o feminismo, que se criou no ativismo socialista e anticonservador, e depois de colocar fogo na casa pretende aparecer com o extintor e jatos de água, reivindicando a condição de contraponto à decadência civilizacional.

A subida de Khomeini, o primeiro aiatolá, se deu por um esforço conjugado de grupos socialistas, que continham feministas, depois arrependidas e exiladas. Fizeram a cagada, observamos agora uma revolta generalizada diante das imposições do regime e, se conseguirem a restauração monárquica, estarão voltando ao ponto zero que motivou a revolução de 79.

Quando um malfeito é executado, a exigência mínima é que os grupos que o provocaram se mobilizam para consertá-lo. As execuções de manifestantes, inclusive de mulheres, é algo real, o que demonstra que as fotos de transgressão aos valores islâmicos, queimando a imagem do chefe teocrático e utilizando-o para acender cigarros, são arriscadas. Se elas não estivessem fazendo isso, deveriam ser empurradas para fazê-lo, para derrubar o regime socialista que a geração passada ajudou a construir, então o sangue das mulheres atuais é o preço para compensar a burrice das mulheres passadas. Uma troca justa.

Foi divulgada a notícia de que o jovem iraniano seria executado por protestar contra a autocracia, este sujeito poderia ser você, caso tivesse nascido naquele país e fosse dotado de bolas o suficiente para se posicionar contra o governo, sabendo que correria risco de morte. Então o enquadramento feito pelo discurso retórico de que os protestos seriam por razões patriarcais é destituído de base, as revoltas são por vários motivos, inclusive por falta de água e necessidades básicas da população que não foram supridas, ou seja, vai muito além da mera questão ideológica.

Então temos aqui um castigo triplo, exige-se que: 1) a geração atual de mulheres iranianas se coloque em risco, de prisão ou morte por execução; 2) muito provavelmente tenham novamente o Xá na posição de realeza, algo que as revolucionárias de 79 não queriam; 3) Não gozem do mesmo respaldo que as revolucionárias tinham dos grupos ideológicos de causa feminina – a rede internacional feminista está cagando para a situação das manifestantes que se posicionam contra a República Revolucionária Islâmica (a não ser que consideremos manifestações isoladas de repúdio como atos efetivos, tanto quanto a liberação de dinheiro aos aiatolás, que o partido democrata dos EUA fez quando Biden era presidente).

Na foto, um cartaz da organização feminista CODEPINK, que iniciou uma campanha contra as ações militares dos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, pedindo o fim das hostilidades contra o regime de Ali Khamenei.

 



[1] ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, do Estado e da Propriedade Privada. Boitempo. Tradução de Nélio Schneider. P. 32.

[2] BEAUVOIR, Simone. O Segundo Sexo – 1. Fatos e Mitos. Difusão Europeia do Livro. 1970. Tradução de Sérgio Milliet. p. 159 – versão digital.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Cinco vulnerabilidades estruturais dos discursos anti-pílula

 


As pretensas refutações ao discurso da pílula vermelha costumam ser marcadas pela falta de embasamento. Em geral, os círculos conservadores que começam a falar sobre a pílula vermelha assentam as suas bases no mesmo material levado ao público em geral: a mídia. Aquilo que ela escolhe dar visibilidade torna-se, assim, o ponto de partida da discussão, viciando o debate desde o início.

Consequentemente, não se pode dizer que houve pesquisa ou estudo sério nesse tipo de abordagem, feita com base numa impressão geral a partir de postagens aleatórias com o termo redpill indexado.

Uma comparação simples, que resume boa parte das manifestações contrárias aos masculinistas é a do sujeito que, diante de alguém que aponta o dedo para a lua, fica olhando o dedo e não o objeto indicado. Os comentaristas que não participam do movimento feminista e procuram uma forma de rechaçar igualmente o polo que lhe é oposto estão na mesma condição do sujeito que mantém o olhar fixo no dedo e ignora a lua.

No chat ao vivo houve um comentário destacando a superficialidade com que o tema estava sendo tratado, e essa constatação estava correta. É o caso de se perguntar o porquê de as abordagens sobre os masculinistas serem tão raquíticas quando provindas de outros homens que, embora não sejam feministas, não conseguiram captar o fenômeno do feminismo em sua real dimensão. Em discussões como essas, praticamente a unanimidade descamba para a autoajuda.

A pílula vermelha não é uma discussão para coaches, que tratam os problemas apresentados como conflitos internos que precisam ser solucionados com ajuda de terapia e truques de superação de timidez. Aliás, esses expedientes existem às pencas e já foram fornecidos aos homens pelos ditos “artistas de sedução”, portanto o material de coaching e autoajuda, a nível psicológico e interpessoal, já existia em fóruns, livros e artigos masculinistas antes mesmo que qualquer rebatedor anti-pílula abrisse a boca para tratar do tema.

A pílula vermelha comporta discussões sob diversas perspectivas, com materiais e manifestações de teor sentimental, familiar, jurídico-político ou ideológico e social.

A bibliografia de Nessahan Alita foi primorosa menos por apresentar meios de proteção sentimental do que por destacar a existência de um profano feminino. Nota-se que mesmo os grupos que enfatizam a questão da solteirice pegam de empréstimo a literatura de Alita, que na verdade seria mais um material de Pick Up Artist, já que apresenta formas de lidar com as mulheres e controlar os próprios sentimentos, o que seria estranho para quem propõe o afastamento puro e simples de relações.

A ideia de profano feminino é diretamente contrária à blindagem feita pelos críticos da pílula vermelha, que ingressam na discussão para ocultar e isentar a figura da mulher, construindo a imagem falsa de que todo o problema atual se resuma a uma “crise masculina”, o que está longe de ser o retrato fidedigno da crise enfrentada e, se de fato há crise masculina significativa, os responsáveis são os homens que acobertam os fatores ativamente denunciados pelos homens contrários à erosão dos relacionamentos e que recorreram ao boicote ou precauções seguindo o que a prudência recomenda.

A seguir estão delineados cinco pontos centrais que acompanham as abordagens falhas, costumeiramente utilizadas para o assunto da pílula vermelha, sendo as maiores vulnerabilidades presentes no discurso dos críticos:

1) Dissolver a questão específica num poço de generalidades – O ponto falacioso se manifesta no seguinte tom: o feminismo, suas armas institucionais e a recusa da mulher em cumprir o seu papel ou não constituem um problema ou, no máximo, são adversidades gerais da vida que podem ser contornadas. Exemplo: o feminismo é ruim, a sociedade está ruim, mas o mundo é ruim, siga em frente (não sistematize nem mapeie o foco do problema, os fatos sociais, institutos, os sistemas ideológicos impositivos e seus agentes).

A ideia é negar a crise antropológica dos sexos ou enquadrá-la como algo natural da vida e não uma catástrofe muito específica, intencionalmente fabricada nas últimas décadas, que alterou o quadro das relações intersexuais de uma maneira sem precedentes e que, portanto, deve comportar uma análise individualizada, profunda e, se possível, com a apresentação de propostas eficazes de contraposição ao fenômeno. Ao invés disso, as causas remotas ou diretas dessa crise são excluídas e o enfoque se concentra em suas consequências remotas, consistentes na modificação do comportamento masculino.

Para abordar o assunto específico do feminismo, é preciso saber não só que ele existe, mas que continua ativo e vivo, que promoveu transformações e continua operando em sociedade, sendo um fenômeno objetivamente constatável e independente do estado anímico do observador. Quando a questão do feminismo vem à tona, é de se esperar que aquele que irá abordá-la não passará para uma questão da humanidade, da sociedade ou do alinhamento do cosmos, mas se centrará nos fatores relevantes para a compreensão do feminismo. Não obstante, os coaches tentam compensar a falta de embasamento com a desnaturação da questão, pois, tornado o assunto genérico, já não se colocam na posição desconfortável de ter que abordar tópicos para os quais não têm gabarito, nem interesse verdadeiro.

2) Uso da moral religiosa num nível retórico, não analítico. – os comentaristas também apelam para a esfera religiosa numa tentativa de demover os homens de avaliarem a própria situação e a das fêmeas. A retórica tem uma função apelativa, mas como já dissemos linhas anteriores, o fenômeno do feminismo exige um tratamento de outra natureza, ele é algo que se submete a análises sociológicas, políticas e culturais, mais do que uma questão teórica, o feminismo gerou problemas práticos e entraves que explicam o desarranjo atual. Alguns encaram a religião como produto da cultura e outros a tomam como fonte da própria cultura, qualquer que seja a visão adotada, os conceitos religiosos utilizados não podem ser palavras vazias, devemos nos perguntar de que maneira o falante trata o termo religião.

Se se referem à salvação das almas, encontraremos nos dez mandamentos[1] o seguinte: 1) Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz tirei da terra do Egito dessa da casa da escravidão. Não terás outros deuses diante de Mim; 2) Não invocarás em vão o Nome do Senhor teu Deus; 3) Guarda o dia do sábado santificando-o; 4) Honra teu pai e tua mãe; 5) Não matarás; 6) Não cometerás adultério; 7) Não roubarás; 8) Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo; 9) Não desejarás a mulher do teu próximo; 10) Não cobiçarás nada que pertença ao teu próximo.

Entre esses diversos comandos, nota-se uma maior preocupação com a castidade do que propriamente com a formação de família, considerando as relações matrimoniais existentes na sociedade, o cumpridor dos mandamentos deve se abster de prejudicar as relações dos outros. O apanhado de versículos de que se munem os apologistas apenas se prestaria para censurar o caso de cafajestes que se utilizam da pílula vermelha como justificativa para manter redes de relações sexuais com várias mulheres, usando a promiscuidade feminina para justificar a própria, encontrando na guerra geral feita contra os homens um ponto de apoio para aliviar a barra dos seus próprios vícios, que existiriam fosse qual fosse a situação do entrechoque de sexos na sociedade. A pílula vermelha não se presta a limpar a barra de modelos masculinos deformados, tampouco é acusada de fazê-lo, já que os difamadores muitas vezes se utilizam do shamming da virgindade, acusando os adeptos da redpill de não manterem contatos femininos, isto é, de não serem cafas.

Nesse momento, já se percebe que os principais pontos levantados pelos masculinistas sequer são abordados; quando muito tangenciados e logo em seguida esquecidos como detalhes. Avançando a querela religiosa, se desejam utilizá-la como suporte para analisar o contexto social, é necessário lembrar que a sociedade pode ser regida por princípios católicos ou não; em suma, ou os princípios da sua religião perpassam a sociedade, moldam instituições e constituem a pedra de toque do casamento, da filiação e do comportamento feminino, ou a religião fica sendo simplesmente algo restrito a alguns círculos e as pessoas apenas nominalmente se dizem religiosas.

O cristianismo a que se referem os conservadores para defender o casamento é meramente retórico, não encontrando eco sequer nas mulheres que se denominam católicas ou cristãs, amplamente adaptadas ao regime de liberdades civis inaugurado pela ruptura feminista desde as sufragistas.

Quando uma religião é forte e seus fiéis regem suas vidas de acordo com os preceitos transcendentes, as normas religiosas vêm em primeiro lugar que quaisquer outras, as normas dos cristãos do império romano vinham antes das normas públicas e eles estavam dispostos até o conflito para que, em última instância, predominassem os preceitos bíblicos sobre os pagãos. Foram acusados de pertencer a uma seita, porque os valores espirituais do grupo e a hierarquia do clero eram mais importantes que os determinados por César. Um liame grupal forte conduz ao boicote, à sabotagem ou militância ativa contra os preceitos que lhes são contrários e, se esse fosse o caso das fêmeas cristãs atuais, elas trabalhariam contra o direito antifamiliar, mas o que vemos é o contrário, passividade geral e conivência com o aparelhamento ideológico do Estado e de seus órgãos.

As mulheres não trabalharão contra os mecanismos ideológicos fabricados pelo feminismo a não ser quando entrem em rota de colisão com seus interesses, como no caso da comoção geral causada pelos disfóricos que ingressam em esportes femininos e acabam por causar-lhes danos físicos e perdas de premiações.

Agora, devemos perguntar qual tipo de mulher coloca o direito canônico acima do direito civil, ou mais propriamente, ao direito de antifamília, um fruto do liberalismo, condenado nas encíclicas de sua Igreja? Nenhuma.

Na primeira oportunidade e em última instância, o que vale é o direito laico, os mecanismos abusivos construídos pelo feminismo. Não será nem Vaticano, nem Roma, nem Igreja, nem Papa que as impedirão de buscar auxílio do estado formatado de acordo com a ideologia feminista, de maneira que devemos concluir que as seitas são mais leais aos seus fundamentos do que as mulheres católicas o são com o modelo de casamento defendido pela sua Igreja.

As suas passagens preferidas são: “não julgueis, para que não sejais julgado” e o episódio no qual Cristo intervém a favor da adúltera e a impede de ser apedrejada.  São duas passagens convenientemente utilizadas para afastar julgamentos do meio contra uma vida de troca constante de parceiros, maternidade irresponsável, manipulação dos gostos masculinos, libertinagem, desprezo à figura do marido e conivência explícita com o projeto revolucionário que encontrou na subversão dos sexos uma de suas instâncias preferidas.  

As esquerdas obtêm expressiva votação do público eleitor feminino e a propaganda difundida pelos meios de comunicação é repetida em suas bocas, de maneira que não é curvando-se à mulher que alguma correção de valores se efetivará.

O mais curioso é que, embora Cristo tenha intervindo contra o apedrejamento, não agarrou a mão da adúltera para tomá-la como esposa, no entanto os cristãos retóricos pretendem que a cada adúltera encontrada na esquina seja dado um marido, ao qual se atribui uma “missão sacrificial”[2]. O discurso dos retóricos tem apenas uma casca de dogmatismo e tradição, mas a sua sociedade não é nem dogmática, nem tradicional, tampouco suas mulheres são, elas já pertencem ao mundo e, portanto, devem ser tratadas como mundanas.

Acerca do vínculo conjugal, calha recordar um trecho do deuteronômio sobre o divórcio (24: 1-4): “Se um homem tomar uma mulher, e a tiver consigo, e ela não for agradável diante dos seus olhos por qualquer coisa torpe: escreverá um libelo de repúdio, e lho dará na mão, e a despedirá de sua casa. E se ela depois de ter saído, tomar outro marido, e este também a aborrecer, e lhe der libelo de repúdio, e a despedir de sua casa, ou se ele veio a morrer: não poderá o primeiro marido torná-la a tomar por mulher: porque ela está contaminada, e tornou-se abominável diante do Senhor: não faças pecar a terra, que o Senhor teu Deus te dará para a possuir[3]

Embora a negação do divórcio não seja absoluta e peremptória, os casais que verdadeiramente objetivam seguir padrões bíblicos não devem admiti-lo como instituição normal, sempre à disposição e que pode ser acionada com base na conveniência, ou seja, deveria haver um choque entre as mulheres cristãs e o regime de divórcio do direito contemporâneo.

Pois bem, certa vez uma colega de curso tinha fama de ser muito católica, frequentava rodas de orações feitas na universidade, tive a curiosidade de perguntá-la de sua opinião sobre a questão do divórcio, ao que ela respondeu que “é....tem vezes que a relação não dá certo mesmo...”. Essa mesma moça terminou a faculdade solteira e não sei se continua até hoje, mas é significativo o fato de que até mesmo uma das mulheres, com fama de católica, primeiro colocava os olhos na formação e na carreira para, depois de uns anos, poder então pensar que um filho talvez lhe faça falta, o marido sendo encarado por último, quem sabe como mal necessário que pode ser dispensado quando o tédio e a conveniência ditarem, porque “tem vezes que a relação não dá certo mesmo”.

Por acaso alguém já viu algum retórico religioso fazendo campanha para que divórcios voltassem a ser tabu, para que as mulheres parassem de pedir divórcio? Ou então para que a figura da mãe solteira não fosse consagrada como um modelo louvável? Alguma movimentação de condenação do desprezo que as mulheres, em geral, nutrem pelo casamento e obediência ao marido? Não, porque se fizessem isso deixariam de ser retóricos.

Antes do Renascimento, a hegemonia cultural modelava o homem a partir de Cristo; com a subversão sexual as mulheres passaram a seguir o modelo de Lilith. Se por um lado os retóricos estão preocupados em julgar os homens a partir de Cristo, eles deveriam antes se preocupar em verificar se as fêmeas contemporâneas seguem o modelo da Virgem Maria, a não ser que tratem a questão a partir de pressupostos falaciosos, visando ao final consumar o casamento de Cristo com Lilith. O sofisma de que o homem que aceita as cláusulas da união matrimonial antifamiliar estaria cumprindo uma missão deve ser descartado.

Fala-se na missão masculina no decorrer da história, sobre o papel ativo do homem nas transformações e superação de obstáculos. Levantado esse ponto, eles sentenciam no sentido de que a “missão sacrificial” consistiria justamente na aceitação do homem em uma união de acordo com as cláusulas impostas pelo sistema antifamiliar. Então fazem uma exortação que caminha no sentido inverso do papel masculino, como se a submissão à farsa antifamiliar fosse um meio de o homem cumprir o papel ativo. Na verdade, a energia masculina consiste justamente em romper e denunciar o pacto leonino que lhe é apresentado, disfarçadamente, como matrimônio idêntico ao celebrado pelos antepassados.

Existe um caráter de retribuição quando o salmista faz referência à proporcionalidade do tratamento divino com relação à criação, ele menciona que “Tu (Senhor) serás santo com o santo, e serás inocente com o homem inocente; e com o puro serás puro; com o perverso serás como ele merece. Porque tu salvarás o povo humilde, e humilharás os olhos dos soberbos. [4]. A ideia é de que com os de boa-fé responde-se normalmente e com os maliciosos deve-se saber responder à altura. Os homens responderão à altura.

3) Descarte de instituições, costumes, fatos sociais gerados e impostos pela ideologia feminista tanto no campo da esquerda quanto no da sociedade em geral (em instituições de ensino, de Estado, culturais, políticas e jurídicas)

Num primeiro estágio o feminismo se limitava ao campo do pensamento e de manifestações panfletárias, gradativamente proliferando-se com um histórico de obras e acumulando robustez literária ao ponto de se transformar em algo considerável, partindo para o ativismo e influência dos movimentos políticos, sempre vinculado à esquerda, fazendo-se presente desde então. Ele é a causa de transformações perceptíveis, impositivas e que obrigam a sociedade no sentido ideologicamente determinado.  Não é com truque de terapeuta e motivacional que se irá entender, muito menos solucionar problemas fomentados por redes de ONGs, estruturas burocráticas, think tanks, militância ativa e lobby em todos os poderes da República. Existe uma rede estrutural que torna o feminismo aquilo que ele é e essa rede é completamente ignorada pelos comentaristas.

Um dos sujeitos do vídeo mencionou a questão da pensão socioafetiva, mas de passagem, como detalhe de somenos importância e irrelevante para a discussão. Em linhas gerais, essas discussões são superficiais e não tratam dos principais fatores levantados pelo antifeminismo, por exemplo:

Os divórcios são majoritariamente iniciados pelas mulheres, mais de 70% é de iniciativa feminina[5]. O divórcio não depende de motivo sério, pode ser pedido a qualquer hora e a guarda da criança fica com a mãe, do dia para a noite o pai se vê com uma dívida mensal de pensão alimentícia. O divórcio sem culpa, que aqui no Brasil se conhece mais como divórcio direto, não é uma questão criticada pelos conservadores.

Ainda no contexto familiar, surge a questão da alienação parental, forma de manipulação psicológica por meio da qual a mãe forma um imaginário infantil desfavorável à figura paterna. O divórcio, que não deveria estar consagrado, gerou a gambiarra da pensão alimentícia, assim como a necessidade de dar atenção ao fenômeno da alienação parental, cuja lei destinada a coibi-lo tem sido um dos poucos instrumentos de proteção aos pais. Porém, a revogação da lei de alienação parental avançou recentemente uma etapa na CCJ, contando com ajuda de políticos da bancada conservadora como Magno Malta e Damares Alves, o que prova a inexistência de antifeminismo nos opositores da esquerda.

Os ramos masculinistas abordam com frequência a deformação do sistema jurídico no sentido do supremacismo feminista, cujo divisor de águas se deu com a introdução da Lei Abuso da Penha, seguindo-se a partir daí o aparelhamento geral do Estado, com um sistema de medidas protetivas com base apenas na palavra da vítima e a possibilidade de, em certas ocasiões, um simples policial deferir medida de afastamento do lar.

No contexto de relacionamentos, critica-se a hipergamia turbinada. Embora a seletividade feminina, em si, sempre tenha sido fenômeno presente nas sociedades humanas, a tônica do atual momento é prestigiar a supremacia feminina e negar as prerrogativas masculinas. Apesar de se colocarem na posição de guardiões da moral antiga, corretiva dos vícios do presente, ignora-se o fato de que quem não quer formar famílias são AS MULHERES modernas, que desejam adiar compromissos o máximo que puder, focando no trabalho, colocando filhos e marido como algo secundário, se tanto. A queda da taxa de natalidade se deve a isso: ou a sociedade assegura as prerrogativas masculinas, ou apodrece como exatamente vem apodrecendo.

Somem-se a esses tópicos os casos forjados de violência doméstica, insegurança jurídica, demissão de cargos por responder à lei abuso da penha, impossibilidade mesmo de ingresso em profissões por ter supostamente incorrido em seus dispositivos, além da criação do tipo penal de violência psicológica, aparelhamento ideológico feminista da máquina burocrática e também do terceiro setor. A deformação observada no sistema de normas chegou ao ponto em que se impõem cotas de candidaturas e de financiamento obrigatório na mesma proporção de 30%, também há o caso das desembargadoras biônicas (CNJ fabricou uma causa de promoção fora dos critérios constitucionais para criar mais desembargadoras). Há inversão do ônus da prova em se tratando de processo penal, condenações cíveis mais flexíveis para favorecer interesses feministas (com o processo coletivo transformando em arma política interessante para agentes ideológicos que ocupam cargos nas promotorias, defensorias e magistraturas).

A censura sendo costurada com o slogan de combate à misoginia seria um desdobramento do alto grau de aparelhamento já observado nas recentes décadas.

Em 2023, o Senado Federal instituiu uma comissão para alterar dispositivos do Código Civil, nele fazendo constar a possibilidade de pensão alimentícia até para animais, na linha do pensamento liberal de liquefação do conceito de família e ruptura de paradigmas.  Ao que devemos perguntar: onde estão os juristas católicos para se opor às aberrações promovidas no seio do direito civil? Desmobilizados, quietos, ou pior, fazendo o voto de que a sua religião não deve interferir no regime jurídico do direito de família. No entanto, eles se mobilizam para tratar da pílula vermelha e as suas bancadas colocam adiante projetos que apenas agravam a situação.

Para se ter uma ideia, existe mais reclamação contra o divórcio por parte dos masculinistas do que pelos conservadores, que já largaram essa questão há tempos e encaram com naturalidade as novidades de seu tempo e a troca de parceiros e a maternidade solteira. Como se não bastasse, funcionam como suavizadores dos demais impactos provocados pelo feminismo, isso quando não são colaboradores ativos dessas transformações.

É feita a acusação de que o afastamento das mulheres seria uma contribuição à entropia social promovida pelo feminismo, de que, se por um lado o intuito das feministas é destruir o matrimônio, por outro a postura dos homens que o boicotassem as estaria ajudando a alcançar esse desiderato. A verdadeira colaboração com o sistema ideológico ocorre quando as causas são reforçadas e as críticas relevadas. Quem estiver preocupado com a crise de relacionamentos não irá reduzir esse acontecimento a uma “crise masculina”, mas trabalhará para remover os fatores que contribuem para o desastre, afinal de contas, cessada a causa, modificam-se os efeitos.

4) Psicologização típica de coaches - autoajuda. – Os comentaristas sobre o problema do feminismo tratam da questão como se se tratasse de um programa de “Casos de Família”, desentendimentos de casais, homens tímidos, irresponsáveis e imaturos para manter uma relação.

Com uso da psicologização, os retóricos transformam problemas reais em questões que navegam no campo puro da psicologia humana. Então há uma substituição de problemas concretos, constitutivos de fatos sociais e instituições impositivas por situações abstratas, tratando todos os tipos de aberrações promovidas pelo feminismo na sociedade como se fossem secundárias. Para os retóricos se imporem, eles precisam descartar todos os fatos, os problemas reais e seus agentes, focando tão somente na psicologia dos adeptos do antifeminismo.

Essa é uma das maiores vulnerabilidades e explica o porquê de suas abordagens sobre o tema serem tão fracas.

Considerando que os acontecimentos da revolução sexual vieram primeiro e as reações psicológicas surgem a posteriori, os retóricos tentam de extrair do acontecido a posteriori o principal para explicar o antecedente. São coaches, não são estudiosos de um assunto procurando traçar um quadro e colher seus elementos.

Por exemplo, um dos interlocutores sabe da hostilidade alimentada pelo feminismo nas mulheres, o retórico ressalta que isso encontra uma hostilidade nutrida pelos homens como reação e então os homens criariam um fator impeditivo para o diálogo e, por via de consequência, frustrariam uma relação. Assim, ele ao mesmo tempo que isenta as mulheres, transfere a carga para o outro lado.

Posteriormente a coisa piora e passam a tratar da questão como se fosse um afastamento, em linhas gerais, da questão do amor, do outro, etc... recaindo no vício já apontado antes, sobre dissolver a questão específica num poço de generalidades, além de cair em lirismos baratos, muito aquém do que se espera de uma abordagem intelectualizada do assunto.

A contribuição que coaches podem fornecer à pílula vermelha é mínima, os tratamentos psiquiátricos e terapêuticos podem entrar em cena quando o meio está estruturado, mas é o sujeito que se encontra descompassado; já numa situação contrária, quando é a sociedade que se encontra apodrecida, a reação, inclusive aquela que se manifesta pelo boicote e exposição das artimanhas revolucionárias feministas, é mais que salutar, ela é necessária.

Os retóricos estão muito abaixo da bagagem adequada para dissecar o assunto, então tergiversam, tratam de questões supérfluas ou perspectivas infrutíferas, em todo caso o feminismo segue sendo um elefante branco na sala. Um deles confessa que a discussão é feita sem fontes, ou seja, eles não pesquisaram NADA.

Digo isso porque um deles afirmou que a união matrimonial se recomenda pelo fato de que “os seus pais, avôs, tataravós, etc.. terem celebrado uma união com as suas respectivas esposas”. Se meus pais e avôs fizeram, eu também irei fazer, como se nada houvesse interferido nesse meio tempo de maneira radical e substancial, alterando as cláusulas matrimoniais por completo. Que isso seja dito por um tiozão de bar sem estudo, focado tão somente em trabalhar, assistir novela e ir a passeios turísticos, vá lá, mas o círculo dos discutidores acerca da redpill geralmente é composto por gente com pretensões de crítica intelectual profunda, ou como a própria thumbnail faz constar: “crítica destrutiva”.

Porém, se a sua intenção ao formarem círculos de debates é promover uma desconstrução das críticas masculinas, deveriam ter feito o trabalho de casa e pesquisado o arcabouço crítico dos masculinistas.

A responsabilidade do crítico competente é mapear as bases teóricas de uma determinada corrente e desconstruí-las, desde o ponto de vista abstrato até as suas consequências práticas. Os retóricos não tratarão nem de uma e, quanto á outra, as consequências práticas são tão remotas que pouco afetam as afirmações da androsfera.  Em suma, os retóricos são coniventes com a revolução feminista.

Há canal que integra essa tal androsfera e possui número considerável de inscritos, não é anônimo, repercute bem na bolha e respinga inclusive fora dela, por que estão fingindo que não existe?

 Existem publicações em blogs antigos, livros e artigos que circulam e são citados, não fizeram o trabalho que se espera de um intelectual, que é ler e pesquisar? Aonde foi parar o tal do status questionis?

5) Fuga do julgamento das mulheres – Foi Tertuliano quem, logo nos primeiros séculos da Igreja, fez uma exortação às mulheres de seu tempo para que se portassem com modéstia e se vestissem com elegância: “Vesti-vos com o tecido da probidade, com o linho da santidade, com a púrpura da castidade.
Assim, pintadas dessa maneira, tereis Deus como vosso amante
[6].

Caminhando em sentido diverso, há uma verdadeira recusa em cobrar das mulheres o mínimo de recato, quiçá o cumprimento de seus papéis. Aliás, o mero fato de que as mulheres possuem papéis é capaz de causar estranhamento geral nas atuais circunstâncias.

São elas que, em geral, não querem casar, não querem filhos e renunciaram à sua vocação de esposas, pesquisas comprovam isso, mas os olhos e o senso comum deveriam bastar.

 

Na pesquisa da Morgan, seriam aproximadamente 45% das mulheres, na faixa etária entre 25 e 44 anos, que estão previstas para não terem filhos e serem solteiras conforme demonstrou a pesquisa. Pois a presença crescente de mulheres solteiras no mercado de trabalho, provocou mudanças de hábitos de consumo e estilo de vida[7]

 

Outra matéria diz que o percentual seria de 50%, como a variação é própria desse tipo de estudo, que busca traçar faixas prováveis do fenômeno, ainda que escolhêssemos o mínimo de 45%, isso já seria escandaloso, já que seria confissão de que as próprias mulheres consideram o matrimônio instituição falida e reproduzem os modos da ideologia sexista, o que aliás já foi identificado pelos masculinistas.

Fala-se muito em crise do homem, às vezes querendo-se afirmar crise da humanidade, mas o corrente sentido dessa expressão é para referir-se à crise da masculinidade, passando então a cobrar satisfações do porquê de os homens modernos estarem supostamente faltando com os seus papéis, chegando-se ao momento chave em que se encerra uma condenação geral contra aqueles que passaram a desaconselhar os relacionamentos.

A ideia é passar a imagem desses homens como imaturos, então de certa forma a psicologização e autoajuda colaboram para a isenção das mulheres que, se da boca para fora se dizem contra o feminismo, não se dispõem a se transforem em personificações da feminilidade, da maternidade ou religiosidade mariana que descartaram há tempos.

Nas circunstâncias atuais, mulher nenhuma tem moral para falar do homem moderno, pois absorveram diversas características introduzidas na cultura pelo feminismo e todas elas são, em maior ou menor grau, adeptas do feminismo. Já se falou o suficiente sobre crise masculina, mas nada sobre a crise feminina. O julgamento da mulher moderna é inevitável, ela que recusa o casamento, ela que se divorcia, ela que usa os mecanismos institucionais em seu favor, que pensa poder viver sem a presença masculina com o devido acatamento e recusando a sua vocação de auxiliadora do homem. Em épocas passadas, a sociedade como um todo sancionaria a mulher moralmente desviante, lembrando-a da existência de um código de maneiras femininas, obliterado na atualidade para ceder lugar à falsa liberdade, que passa incólume aos olhos dos que se imaginam tradicionais, mas cujo tradicionalismo pregado aos homens destoa da modernidade permitida às fêmeas, cujos ardis não passam despercebidos dos olhos dos homens antifeministas, que sabem que aceitar esse teatro seria o mesmo que se tornarem não heróis, mas palhaços.

Conclusão

Quando arguições contrárias ao ramo da pílula são levantadas por sujeitos não feministas, principalmente a partir de perfis com nuances de tradicionalismo, num primeiro momento eles aparentam que irão falar montados numa estrutura intelectual literária, filosófica e de bases teológicas, que em pouco tempo se prova miragem, desfeita e substituída por uma conversa de coaches e terapeutas, e é esse tipo de perfil que se repetirá praticamente todas as vezes em que algum anti-pílula se manifestar. Visualizando esse quadro, essas vulnerabilidades parecem ser de difícil superação, porque eles parecem incapazes de analisar, seja com filosofia, lógica ou mesmo literatura, as realidades sociológicas que embasam o discurso masculinista. Não é pelo fato de serem casados, porque os anti-pílula que são solteiros apresentam a mesma limitação. Se o adepto da androsfera se mantiver nos limites desse campo intersexual e suas conclusões forem pertinentes a ele, continuará sólido e irrefutável, se decidir sair do seu campo de competência, passará a ser vulnerável ele próprio. A ocasião aqui foi ressaltar as vulnerabilidades não dos antifeministas, mas sim dos anti-antifeministas, que é o que os retóricos acabam sendo no final das contas.



[2] Falácia dita por volta de 58:00 no vídeo do IB. Sobre os Red Pill e a crise da masculinidade / Crítica Destrutiva / 052. https://www.youtube.com/live/t5a5vGxnKl4?si=Al9lhH5edpdtFSOZ  

[3] BÌBLIA SAGRADA. Versão padre Matos Soares. P. 344.

[4] BÍBLIA SAGRADA. Tradução e comentário pelo Padre Mattos Soares. Salmo XVII, 26-28.

[6] De Cultu Feminarum.

[7] Mulheres – Estudo americano aponta transformação social para mulheres, até 2030. https://www.grupometanews.com.br/post/mulheres-estudo-americano-aponta-transforma%C3%A7%C3%A3o-social-para-mulheres-at%C3%A9-2030

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