quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Betty Friedan: de militante comunista a dona de casa crítica do conservadorismo norte-americano

 


Um dos livros mais asquerosos que tiveram impacto na mentalidade moderna foi “A Mística Feminina” (1963) de Betty Friedan. Essa publicação mirou em mulheres donas de casa que eram sustentadas pelos maridos e seguiam os seus papéis de educadoras, mães e esposas que se encarregavam do dever doméstico enquanto a figura masculina se inseria no mercado de trabalho.

A guerra de Betty Friedan é contra a mulher funcional, acusada de ser reduzida ao papel de peça na engrenagem do sistema patriarcal. Consciente ou não, Friedan travou uma guerra psicológica focada em esposas dentro dos seus lares, o seu papel era infectar outras donas de casa, usando a sua própria condição de esposa como base para desmerecer essa posição e sustentar que era algo degradante e que, para que elas atingissem um plano superior, deveriam se desvincular de tal posição.

Como todos os movimentos revolucionários, Friedan se encarregou de vocalizar o anticonservadorismo típico das feministas, então de um lado as feministas militantes atuavam extramuros, do outro a difusão ideológica de Friedan atuava intramuros. Se houvesse alguma mulher tradicional naquela altura que, observando as feministas militantes, as considerassem desvairadas, haveria então o exemplo de Friedan que, não obstante ser uma dona de casa e mãe, subscrevia praticamente todos os pontos sustentados pelas ativistas dos direitos das mulheres. 

O dito feminismo liberal apenas confirma e facilita as conclusões do feminismo radical, que não é senão um estágio mais desavergonhado daquele outro, que apenas alegava querer igualdade de condições. No final das contas, o alvo de ambos era o conservadorismo norte-americano.

Mas, antes de se colocar na posição de simples dona de casa que faz desaguar suas angústias num livro manifesto, Friedan fez parte de círculos universitários incumbidos de difundir a militância mais escrachada.

Frequentou a universidade (Smith College) no final dos anos 30 e fez pós-graduação em Berkeley, mergulhando nos círculos da esquerda com forte influência marxista[1], em proximidade com o Partido Comunista dos Estados Unidos da América (CP USA).

Em seus anos de formação, participou de grupos de estudos marxistas, escreveu artigos em defesa de temas conexos à esquerda, como a crítica do capitalismo, defesa dos sindicatos e a opressão das mulheres trabalhadoras.

Toda a sua atividade precoce foi marcada por proximidade com militantes e simpatizantes da causa socialista. Em 2010, o historiador do partido comunista americano, Norman Markowitz, considerou que muito do ativismo e modo de pensar de Friedan poderia ser rastreado até o Partido Comunista dos Estados Unidos da América, embora ela tenha acobertado esse fato.

 

Betty Friedan, por exemplo, vinha de uma família judaico-americana de classe média em Illinois, frequentou uma faculdade feminina de elite durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, fez pós-graduação em Berkeley. Ali, envolveu-se em diversas lutas políticas, algumas das quais incluíam ativistas do Partido Comunista, e em seguida foi trabalhar para a Federated Press, ligada à esquerda trabalhista. Esse veículo de comunicação procurava oferecer à mídia da classe trabalhadora o que a Associated Press oferecia à mídia capitalista. Mais tarde, Friedan escreveu para o UE News e apoiou o Partido Progressista em 1948. Betty Friedan formou-se politicamente em um movimento e em uma cultura de esquerda nos quais o CPUSA desempenhava o papel dirigente. Embora a repressão do pós-guerra tenha encerrado sua carreira como jornalista da esquerda trabalhista, ela continuou tentando escrever para publicações femininas enquanto se acomodava, de maneira desconfortável, ao papel de dona de casa suburbana.

As questões do chauvinismo masculino dentro do CPUSA foram retomadas durante o início da Guerra Fria e debatidas em clubes e fóruns do partido, enquanto a repressão buscava construir o que o filósofo francês Jean-Paul Sartre chamou de anel de fogo entre os comunistas e os demais cidadãos. Betty Friedan, por meio de sua obra do início dos anos 1960, A Mística Feminina, desempenhou um papel essencial na formulação do que, nos círculos socialistas e posteriormente comunistas, era chamado de “a questão feminina”. Ela sempre se esforçou ao máximo para ocultar ou simplesmente ignorar seu passado à medida que se tornava uma celebridade, e direcionou seu feminismo inicialmente às mulheres com formação universitária, frustradas com suas vidas como donas de casa, cujo trabalho era ao mesmo tempo não remunerado e desvalorizado.

Entretanto, pode-se encontrar em sua obra uma análise das ideologias de opressão e uma resistência a elas que constituíram um fundamento do movimento comunista no período em que ela atingiu a maturidade política. Também é possível identificar, em seu trabalho posterior como fundadora da National Organization for Women (NOW), uma ênfase na construção de organizações amplas e inclusivas e na ação política tanto dentro quanto fora dos canais institucionais tradicionais. Ela defendia a realização de lobby por mudanças na lei, a organização de protestos de massa para impulsionar tais mudanças e a preparação do movimento para avanços futuros. Esse tipo de perspectiva estratégica e tática também caracterizava o Partido Comunista e o movimento de esquerda mais amplo do qual ele era a força dirigente na juventude de Friedan[2].

 

De fato, ela entendia que havia essa conexão entre a questão das mulheres e a causa socialista, algo que outra autora futuramente dirá, que o marxismo deveria se alinhar ao feminismo e que o feminismo deveria se tornar também marxista.

Friedan se tornou propagandista entre 1938 e 1942, depois largou a faculdade para se tornar uma repórter a serviço do ativismo entre 1946 e 1952, num jornal vinculado ao sindicato United Electrical Workers, o UE News, um dos mais dominados pelos comunistas naquela época (1947). Antes de trabalhar nesse órgão de imprensa, ela foi demitida de outro devido a posições pró-soviéticas[3] (um artigo deixa isso em dúvida, teria sido a sua postura favorável aos soviéticos a causa da demissão ou simplesmente para dar lugar a um homem? Afinal de contas, os homens são culpados de tudo).

Esse antro de comunistas chamou a atenção dos congressistas dos EUA naquela época, que estavam investigando as atividades dos internacionalistas vermelhos.

Friedan também frequentou o Highlander Folk School, um centro de treinamento ativista dos socialistas.

Com a chegada dos anos 50, as atividades de contra-inteligência das autoridades norte-americanas passaram a ser combatidas pela propaganda socialista e então cunharam-se termos como “Red Scare” e “Macartismo”, numa tentativa deliberada de mover a opinião pública e blindar os comunistas infiltrados em postos de relevo da sociedade e do governo. Vocês escutarão também a tentativa de enquadramento da exposição de agentes como sendo caça às bruxas, uma expressão conveniente, porque Friedan poderia bem ser denominada de bruxa.

Sobre os impactos da reação às atividades comunistas, também chamadas na época de atividades antiamericanas, Horowitz escreve: “Desejo destacar o dano que o macartismo causou aos movimentos sociais progressistas nas décadas de 1940 e início de 1950, e especialmente ao feminismo, que ele forçou à clandestinidade, mas não conseguiu destruir.”[4]

Então, de militante socialista a ativista passa a ser um a dona de casa com cara de sonsa, com medo da reação anticomunista impulsionada pelas forças conservadoras dos anos 50 e 60, considerando que uma reação anti-revolucionária razoavelmente esclarecida constitui ameaça tanto ao espectro comunista quanto ao feminista, pois estes elementos trabalham conjuntamente.

Friedan passou a ocultar a sua prévia atividade socialista, continuando o trabalho sutil de subversão da sociedade norte-americana em termos de direitos civis, ela se colocou na posição de mera dona de casa que colocava em seus escritos observações sobre a situação das mulheres. Ao invés da defesa ativa dos socialistas, ela acabou por contribuir para a causa de outra forma, simplesmente atacando as bases da sociedade existente, fragilizando-a e facilitando o trabalho dos revolucionários.

Exercendo o trabalho crítico contra o conservadorismo norte-americano, automaticamente as hostes feministas se beneficiariam e, com elas, o complexo socialista ao qual elas pertencem.

Ela atacou a ideia da dona de casa que se realiza em seus afazeres domésticos, tratar-se-ia de modelo feminino cunhado pela sociedade de consumo e funcional ao sistema capitalista do pós-guerra e, com ele, essencial à manutenção da ordem social conservadora.

Em debates, propugnaria pelo aborto, liberação sexual e divórcio livre, em contraponto aos religiosos que condenavam tais pautas. O desencorajamento social às mães solteiras também era interpretado como preconceito e hostilidade à liberdade feminina, pois mães solteiras seriam aquelas que teriam quebrado “A Mística Feminina” da boa esposa.

O que é a Mística Feminina? Trata-se da imagem confeccionada pela sociedade burguesa de maneira a limitar as mulheres a papéis fixos, convenientes ao patriarcalismo, impedindo-as de desenvolver todas as suas potencialidades humanas, que estão para além do lar doméstico. A mística feminina seria a narrativa usada para encapsular a mulher conforme os interesses masculinos, o movimento de libertação feminina é a destruição disso que ela denomina de “mística feminina”.

Horowitz alude ao fato de que os movimentos sociais e seus líderes não surgem do nada, antes possuem uma história responsável por modelar os seus destinos. Uma das características dos movimentos internacionalistas é o intercâmbio de experiências, os frutos da revolução de 1917 da Rússia foram aplaudidos pelas integrantes da “segunda onda”, nessa linha de raciocínio, Augusto Zimmermann escreve que:

 

“(...) a desintegração da família, facilitada pelo Código Soviético sobre Casamento e Família, transformou o divórcio em algo fácil e acessível. O resultado foi um enorme aumento de casamentos ocasionais e a mais alta taxa de divórcios do mundo. O resultado das políticas antimatrimônio na União Soviética foi um aumento dramático no número de lares desfeitos e de abortos. Em 1934, somente em Moscou, houve 57.000 nascimentos vivos em comparação com 154.000 abortos. Relata-se que um grande número de mulheres morreu em decorrência dessas interrupções da gravidez”. (...) “Friedan apoiou essas políticas soviéticas, pois percebia a família tradicional como o maior obstáculo à socialização das crianças”.[5]

 

Entre o feminismo liberal e o feminismo marxista não há uma oposição, mas um jogo de cena ou, melhor, uma orquestra, cada qual toca o seu instrumento a fim de produzir a melodia de acordo com os tons mais adequados para cada ambiente. Friedan presta tributo à obra de Kollontai e, juntas, marcam o alvo no conservadorismo de suas respectivas sociedades. Zimmermann assevera:

 

Como observa o historiador britânico Orlando Figes: a família foi a primeira arena na qual os bolcheviques travaram a luta. Na década de 1920, eles tomaram como artigo de fé que a “família burguesa” era socialmente nociva: era introvertida e conservadora, um reduto de religião, superstição, ignorância e preconceito; fomentava o egoísmo e a avidez material, e oprimia mulheres e crianças. Os bolcheviques esperavam que a família desaparecesse à medida que a Rússia soviética se desenvolvesse em um sistema plenamente socialista, no qual o Estado assumisse a responsabilidade por todas as funções domésticas básicas… O casamento patriarcal, com sua moral sexual associada, desapareceria — para ser substituído, acreditavam os radicais, por “uniões livres de amor”.

 

Ironicamente, diante das uniões matrimoniais de sua época, a Friedan advogou que as mulheres abandonassem seus maridos e seguissem o seu próprio caminho, por assim dizer. Esse fato é erroneamente considerado para traçar equivalências entre as feministas, de um lado, e os masculinistas, de outro.

A pergunta que fazem é: se as correntes feministas buscam destruir os laços matrimoniais e nutrem hostilidades com relação ao casamento, separando as mulheres da ambição de formarem uniões sólidas e autênticas, então os antifeministas, ao se posicionarem contra o casamento, também não estariam fazendo o mesmo? A resposta se encontra no contraste com a frequência na qual o feminismo atua.

Quando o feminismo se espalha em determinada sociedade, ele busca conspurcar os institutos e atua de maneira a produzir entropia no meio em que é introduzido, observa a possibilidade de relações estáveis e busca introduzir o divórcio, havendo divisão de tarefas entre ambos os sexos, ele prolonga o trabalho socialista de luta de classes e o aplica às relações sexuais para enquadrar tais relações como exploratórias, sua principal fonte de incômodo é que as relações se encontram harmonizadas conforme as leis naturais (as “configurações de fábrica”) e as leis morais (surgidas da convivência, tradição e concepção de justiça), e então atua para desafiar os padrões e promover a quebra dessas estruturas ordenadas, em suma, a frequência desse movimento é revolucionária.

Por outro lado, a fonte de incômodo provocado nos antifeministas provêm justamente do desalinho, do fato de se perceber que os modelos familiares existentes não são modelos autênticos, mas gambiarras. Se houve consolidação dos pontos defendidos pelas militantes socialistas dentro do conceito jurídico de casamento, é porque de matrimônio não mais se trata, ele se transmutou em outra coisa e aceitá-lo implicaria em aceitar também os seus pressupostos, que no final das contas são antifamiliares. Os antifeministas fazem uma leitura geral das relações sexuais, amorosas e matrimoniais, complementam com as suas experiências particulares, em seguida extraem uma conclusão que se manifesta na forma de reação a estado de coisas entrópico, a postura antifeminista é necessariamente reacionária.  Não só o é, como será universalmente reconhecida como tal pelos partidários do autonomeado progressismo.

Não confundindo com David Horowitz[6], que também dissertou sobre o passado comunista de Friedan, Daniel Horowitz (este é outro autor) sustentou em seu livro que o feminismo de Friedan ia muito além da mera experiência de dona de casa num subúrbio dos Estados Unidos e que, para melhor compreendê-la, era necessário rastrear suas atividades até os movimentos de classe que orbitavam o esquerdismo do pós-guerra[7].

Ela tenta fazer parecer que o desnudamento de uma alegada Mística Feminina decorreu da sua experiência como esposa e dona de casa, mas basta analisar a sua biografia para constatar os fatores que formaram a sua mentalidade, sua passagem pelo sistema educacional já fortemente influenciado por ideólogos e a atuação profissional comprometida com as pautas socialistas constituíram etapas comuns à formação de um modelo feminino que erroneamente considerava o casamento uma fonte de opressão feminina, porque a realidade do quadro era que esse tipo de mulher já era imprestável para o matrimônio. Então o problema não era a formatação do casamento naquela época, mas sim que os queixumes contra a mística feminina (que é uma fabricação feita com propósitos retóricos), surgiam de uma mulher imprestável para casamento. Friedan contraiu matrimônio por acidente, se tornou esposa por um azar e virou mãe por uma tragédia, deveria ter permanecido largada no canto ou, caso mantivesse namoro, ter sido largada imediatamente após o seu parceiro notar com que tipo de mentalidade estava lidando.

Friedan começa o seu livro dizendo haver um problema sem nome, que existe uma questão feminina que precisava ser explorada e que importava a todos, sendo de relevância para o sexo em geral. Na verdade, ela estava apenas projetando angústias de uma dona de casa complexada, uma fêmea estragada para manter relacionamentos saudáveis. Sua mentalidade era uma anomalia na época, mas com o passar dos anos, quase como feitiço, a bruxaria se espalhou e a anomalia se tornou regra.

Em questão de influência, a publicação de Friedan funcionou como uma bomba psicológica que alterou o debate da questão sexual nos Estados Unidos durante a metade do século XX[8], muitos dos pontos por ela levantados se incorporaram permanentemente na retórica revolucionária. Reproduzindo esse mesmo modelo, o resultado é uma geração de mulheres estragadas para relacionamento, tanto quanto a própria Friedan, a bruxa, era.



[1]Friedan and feminism's long links with the fight for wider equality. https://www.theguardian.com/world/2013/jan/18/friedan-feminism-fight-for-equality

[2] Tradução livre de KEYWIKI. Betty Friedan. https://keywiki.org/Betty_Friedan

[3] BOUCHER, Joanne. Betty Friedan and the Radical Past of Liberal Feminism. https://archive.newpol.org/issue35/boucher35.htm#r11

[4] Idem.

[5] Tradução livre de ZIMMERMANN, Augusto. Assessing the destructive impact of ‘Stalinist feminism’. https://www.mercatornet.com/assessing_the_destructive_impact_of_stalinist_feminism

[6]HOROWITZ, David. Betty Friedan's secret Communist past.. https://writing.upenn.edu/~afilreis/50s/friedan-per-horowitz.html

[7] HOROWITZ, Daniel. Betty Friedan and the making of The feminine mystique. 1998. IX

[8] Idem. P. 3

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Manual Antifa recomenda “mapeamento” dos opositores – o esquema socialista está por trás das perseguições e da censura

 


Em “Os Demônios”, Dostoiévski retratou a ação revolucionária de um grupo dedicado a fomentar o caos e assassinatos com finalidades políticas. A inspiração veio da própria efervescência militante da época e de um julgamento real, ocorrido em São Petersburgo, em torno de um homicídio cometido por membros de um grupo socialista contra um de seus comparsas. O escritor compareceu às próprias sessões da Corte para tomar notas a fim de subsidiar a trama.

Como ele apenas registrava um fenômeno que estava longe de se esgotar, passados mais de cento e cinquenta anos a vida continua repetindo os modelos eternizados pela literatura.

O movimento antifa é uma militância socialista que usa o combate ao fascismo como pretexto para poder atingir os seus alvos. Trata-se de um movimento de vocação internacional em sua forma e em suas finalidades.

Nenhum deles tem um conceito certo sobre fascismo ou nacional-socialismo, mas se movimentam com base em imagens, percepções e sensações que essas palavras evocam. Há décadas, para o movimento comunista, todo tipo de anticomunismo precisa ser caracterizado como fascismo.

Uma observação assevera bem o modo de proceder desse tipo de máfia ou culto, eles não te matam por ser fascista, te chamam de fascista para poder te matar. O recente assassinato de um proeminente ativista norte-americano é apenas mais um capítulo no histórico assassino dos movimentos de esquerda, porque “todo comunista é um assassino, só espera a oportunidade”.

Se um dado grupo se considera legitimado a suprimir a vida dos opositores, esse fator deve ser submetido a uma análise fria.

O manual antifa (de Mark Bray) recomenda mapear "inimigos" no bairro e ganhar a confiança da comunidade. Ele espera que os membros pertençam a uma rede e coletem nomes e informações residenciais sobre conservadores e outros indivíduos patrióticos. Eles têm medo de se chamar de comunistas,  então dizem simplesmente "antifascista", e usarão essa palavra como pretexto para fazer o que quiserem, é um grupo terrorista e toda organização antifa deve ser desmantelada, portanto a classificação dos antifas como um grupo terrorista é acertada.

As ações bem sucedidas são tomadas após uma colheita satisfatória de informações. Uma investigação provavelmente reuniria informações sobre novos assassinatos que estão sendo planejados no Discord ou quaisquer meios semelhantes a isso exatamente neste momento, tivemos um vislumbre recente com o atentado ao ativista Charlie Kirk.

Aqui colaciono algumas citações sobre isso, encontradas no manual:

 “Faça sua pesquisa. Uma das coisas mais eficazes que você pode fazer como um antifascista é entender seu oponente, saber onde ele se reúne, como ele se organiza. Então seja eficiente em como você acaba com eles”.

– JIM, REINO UNIDO

“Compreenda quais recursos a extrema-direita possui, colete informações pessoais e públicas sobre onde eles vivem, trabalham, o que fazem, quais ideias estão espalhadas em suas sociedades – para poder reagir na mesma escala”.

– YAN, RÚSSIA

“O antifascismo deve ser liderado pela inteligência... você não pode fazer as coisas de forma abstrata... Saiba o que eles estão fazendo, o que eles estão falando, saiba quais grupos destruir, aprenda sobre suas facções internas, trabalhe nisso, aproveite, divida e conquiste”.

– PAUL BOWMAN, REINO UNIDO

(BRAY, Mark. Antifa – O manual antifascista. P. 257/258).

Essas recomendações sempre são feitas com uma linguagem mesclada com slogans e fabricações que visam legitimar os atos de seus agentes. Todo esquerdista precisa se apoiar numa fraude conceitual para melhor exercer o seu poder e justificar transgressões perante a mídia, a comunidade, as autoridades e seus familiares.

O tom é sempre de caráter apelativo, visando instigar a militância ativa, os protestos que ocorrem nos Estados Unidos tentando blindar os imigrantes ilegais e enfraquecer agências de segurança têm congregado militantes organizados.

Um relatório do Congresso americano[1] reuniu mais alguns pontos sobre o padrão de ação desses internacionalistas:

 

A literatura do movimento antifa enfatiza várias maneiras de “tomar ação”. A mesma fonte do movimento que descreve as “obrigações” antifa incentiva os seguidores a perseguirem algumas atividades que parecem ser protestos comuns e legais, bem como outras atividades que parecem mais confrontacionais. Entre suas sugestões, ela incentiva os adeptos a fazerem o seguinte:

- Desenvolver uma presença online/nas redes sociais para promover visões antifa e recrutar.

- Monitorar as atividades de grupos como a KKK, skinheads racistas e neonazistas, bem como pessoas que se descrevem como nacionalistas brancos, entre outros.

- Realizar arrecadações de fundos e montar mesas promocionais em uma variedade de eventos públicos para recrutar novos membros.

- Participar de comícios realizados por organizações afins que se opõem a pessoas ou grupos que os apoiadores antifa chamam de fascistas. Grupos antifa também organizam suas próprias contramanifestações se opondo a comícios fascistas.

- Forçar organizações externas que hospedam palestrantes ou comícios com inclinação fascista a cancelarem tais eventos. Nesses casos, o protesto pode envolver obstruir o acesso aos locais e o lobby intenso junto aos anfitriões. Esse tipo de atividade tem sido chamado de “no platforming” (ou seja, negar aos oponentes uma plataforma pública). Aqueles que defendem a liberdade de expressão têm criticado especialmente esses esforços.

- Remover ou desfigurar panfletos afixados publicamente de inimigos percebidos.

- Publicizar informações sobre inimigos percebidos. Isso pode incluir afiliações a grupos (como a KKK), endereços residenciais, fotografias, números de telefone, perfis em redes sociais e seus empregadores. Esse tipo de atividade, frequentemente envolvendo pesquisa online legal, é chamado de doxxing. Em alguns casos, pessoas inocentes (casos de identidade equivocada) podem ser alvo e ter suas vidas perturbadas pelo doxxing, embora ativistas antifa envolvidos nesse tipo de trabalho afirmem evitar tais resultados.

- Desenvolver regimes de treinamento de autodefesa envolvendo artes marciais e os limites legais que regem itens de autodefesa, como spray de pimenta, bastões retráteis e armas de fogo. Onde e como os seguidores antifa usam esse treinamento e equipamento provavelmente depende em parte da ameaça representada pelos oponentes em comícios ou do risco de prisão e condenação criminal.

 

Colocada a questão nesses termos, estariam os anti-antifa se posicionando ao lado dos fascistas? A armadilha linguística foi confeccionada justamente para isso, eles dependem da mentira e propaganda para sobreviver, mantendo uma falsa aura heroica em suas ações e manifestações, como se estivessem distanciados dos seus irmãos socialistas travestidos de direita, combatendo ativamente o fenômeno autoritário dos tipos de terceira posição.

Mas a verdade é que, para fins da luta ideológica, eles estão pouco se importando quanto à real natureza dos movimentos como os skinheads, nacional-socialistas ou Ku Klux Klan, na medida em que os comunistas manobram a seu bel prazer tais palavras, transformando-as em meras nomenclaturas sem substância, promovendo o enquadramento de seus opositores com a imagem “fascista”. As constantes tentativas de vinculação do carimbo fascista a pessoas que participam do debate público acabam sendo uma campanha para tornar ataques a tais figuras como se fossem legítimos e mandatórios e, como a mentira para o socialista é de caráter existencial (ele depende dela para viver), o militante fará o seu trabalho fingindo estar preocupado com democracia.

Discrição, mapeamento e ação violenta assassina. Pode-se concluir que qualquer militante socialista é um provável marcador de alvos e nunca será digno de confiança, por muito tempo se sustentou a ilusão de relações harmônicas e troca de ideias, mas isso só pode ser feito quando as convicções não atingiram o ponto da cristalização.

Quando o regime de 88 tinha seus anos iniciais, começou a haver uma rediscussão sobre o regime militar. A investigação feita pela própria organização vermelha chegou ao número de pouco mais de 400 pessoas mortas pelo regime, envolvidas na guerrilha rural e urbana.

Processos internacionais também tiveram o papel de acentuar a versão comunista, que buscava enquadrar os governos militares como violadores de direitos humanos e responsáveis por um verdadeiro massacre, como se se tratasse de holocausto ou algo do tipo.

No regime democrático, eles foram convidados a mostrar a que vieram. Além de subverterem o instituto da anistia para rediscutir a punição aos militares responsáveis pela repressão à guerrilha e ao terrorismo, passaram a construir o pano de fundo para as novas oposições que viessem a surgir, ainda que desvinculadas do regime antecedente, mas contrários ao projeto de poder socialista.

E aqui chegamos à constatação de que uma de suas pautas fundamentais refere-se à ideologia feminista. Vira e mexe tem aparecido trabalhos acadêmicos focados na investigação do fenômeno masculinista e a estrutura feita para promover essas pesquisas é a mesma utilizada pelos comunistas para outros propósitos. Nela também observaremos o padrão de mapeamento, repressão e consolidação sempre que os socialistas atingem uma instância de poder.

No tocante ao feminismo, os centros ideológicos da área de humanas ocupam posição de destaque na construção das falsas teses que irão municiar órgãos de estado na sanha persecutória.

Esses trabalhos acadêmicos cumprem uma necessidade de programa de ação ideológica, não científica, e correm ao lado de ONGs que servem de estrutura para a narrativa e blindagem dos governos de esquerda e seus aliados.

Eles se posicionam na condição de vigilantes de um perigo social emergente e procedem ao cumprimento da primeira etapa de todo projeto de ataque censor mais contundente. Aqueles que possuem uma memória normal haverão de recordar o GPS ideológico feito pela Folha de São Paulo em 2019, fazendo uma varredura sobre influenciadores anti-esquerda, fato que precedeu a tomada de ações oficiais pela polícia política.

Então esses documentos de universidades vão sendo compilados paulatinamente, com o viés já direcionado e linguagem adaptada para o convencimento das estruturas jurídicas e judiciárias (as quais, já vimos, não passam de espuma e superficialidade, cumpridoras de comandos e necessidades impostas pela hegemonia ideológica previamente construída).

Todo o mapeamento feito em torno da questão antifeminista está sendo realizado por centros tomados pelos esquerdistas, são os conglomerados de pesquisadores, professores, alunos e estagiários comprometidos com o discurso hegemônico ideológico em detrimento das certezas científicas. Ocuparam posições para isso, então eles repassam para operadores incumbidos de colocar na prática o fraudulento “combate à misoginia”.  

Considerando que todo processo de perseguição precisa ser gestado, planejado e conduzido. Se alguma ação tiver de ser feita contra esse antifeminismo espalhado, já é possível ao menos identificar quais são as forças por trás dessa repressão e o “sujeito oculto” precisa, então, ser devidamente exposto: são os socialistas.

A atividade de censura e repressão é alimentada, formada, conduzida e efetivada por elementos socialistas, seus órgãos de propaganda e persecução. Simples assim.

É necessário sempre ter em mente quem está por trás da perseguição ao trabalho de exposição sistemática das inconsistências e fraudes feministas, tanto em sua natureza ideológica quanto em sua forma institucional. Lendo algumas páginas dos trabalhos acadêmicos aqui anexados, disponíveis na internet, observa-se que seus autores se posicionam como vigilantes de uma misoginia difusa que supostamente arriscaria a segurança das mulheres, marcando esse macrocosmo redpill como fonte do problema e frequentemente associando-o a opositores das correntes de esquerda.

Primeira questão, a clássica pergunta sobre quem vigia os “vigilantes”, que inclusive são pagos com recursos públicos para produzir esses documentos?

Segunda questão: a quem interessa ocultar os responsáveis pela alimentação do complexo de censura, focando-se apenas nos efeitos remotos e finais da perseguição, como o fechamento de canais masculinistas ou mesmo prisões de influenciadores X ou Y; a necessidade de se precaver com instrumentos de segurança e mascaramento digital, instigando sempre um senso de perigo e de autoproteção, mas sem dizer expressamente de onde emana o foco da perseguição aos masculinistas, como se se tratasse de uma chuva forte ou de um terremoto, um caso fortuito ou força maior, desvinculado de um projeto ideológico bem determinado e decididamente esquerdista? A quem interessa que os sujeitos ocultos permaneçam ocultos?

Grosso modo, essa é a questão de ouro envolvendo amigos e inimigos.

O complexo de censura construído pela esquerda é completamente inconciliável com a crítica ao sistema por ela mesma formado, e a pauta feminina é um elemento nuclear de sua agenda. O bloco socialista sabe disso, os antifeministas também devem ter isso bem claro.

As pautas de esquerda vêm indexadas umas às outras e o projeto de luta de classes já teve a sua modalidade de luta de sexos consolidada, não se pode comprar uma sem comprar a outra. Estão mais que interligadas, pertencem ao mesmo sistema, tanto assim que fazendo oposição a uma os socialistas interpretarão como se também se estivesse fazendo oposição à outra, por isso medidas que beneficiem, institucionalmente, interesses de classe do sexo feminino serão inócuas se o combate estiver sendo travado contra outro ponto da agenda revolucionária, a qual se combate integralmente.  

Por fim, destaco que o mapeamento ideológico conta até mesmo com a análise de emojis:



[2]

 

Abaixo alguns trabalhos de mapeamento feitos pelos setores ideológicos que ocupam espaço nas posições acadêmicas:

 

Machosfera no Brasil: desafios práticos e éticos na cobertura jornalística da misoginia nas redes sociais. Disponível em https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/3146 ; https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/download/3146/2210/16062

A "MACHOSFERA" E AS NOVAS MASCULINIDADES: A RECEPÇÃO BRASILEIRA NAS REDES SOCIAIS. Disponível em  https://www.sbs2025.sbsociologia.com.br/arquivo/downloadpublic?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9BUlFVSVZPXCI6XCI1NjQ4XCJ9IiwiaCI6ImEyNmViNmM2NzA0Y2FhZjcwNTc1NzhlMWY5MjcxOGI1In0%3D

“É pra rir?”: O uso dos memes na machosfera brasileira para sustentar ideologias misóginas. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/10441736.pdf

Um bando de lobos solitários: Uma análise dos memes de mentalidade Sigma na machosfera do Instagram brasileiro. https://periodicos.pucminas.br/dispositiva/article/view/30584

Trabalho de Conclusão de Curso – “Movidos pelo ódio: a machosfera e o desejo de supremacia masculina”. https://bdm.unb.br/bitstream/10483/38494/1/2023_ChristianCaetanoDeLima_tcc.pdf

Red pill, incels e a misoginia da manosfera. https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/229349fb-aefa-45bd-876e-bd4ec3bda486/tc4936-Jose-Silva-Alerta.pdf

Da manosphere à machosfera: práticas (sub)culturais masculinistas em plataformas anonimizadas. https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/download/27703/15230/70846

A manosfera brasileira. https://www.sbs2025.sbsociologia.com.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiNzYxXCJ9IiwiaCI6IjczMDVmNWVjMmMzMDczODMzNGRmMzdmMzkxYzI2YmNkIn0%3D

Misoginia online: manosfera e a red pill no ambiente virtual brasileiro. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/276712

IDEOLOGIA REDPILL E IMPACTOS NA VIOLÊNCIA DE GÊNERO. https://revistageo.com.br/revista/article/view/1142

RED PILL E A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES. https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/download/8381/5828/23804

MACHISMOS VIRTUAIS: DISCURSOS MASCULINISTAS EM CANAIS RED PILL BRASILEIROS DE YOUTUBE. https://exaequo.apem-estudos.org/files/2025-07/n51-a02-v-ferreira.pdf ; https://doaj.org/article/5b4d275459504f68a60b5e521254bdc8

I NEVER WANNA MISS YOU AGAIN: Uma análise da utilização do Tik Tok na comunidade redpill no Brasil. https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/40432/3/I%20Never%20Wanna%20Miss%20You%20Again%20Uma%20An%c3%a1lise%20da%20Utiliza%c3%a7%c3%a3o%20do%20Tik%20Tok%20na%20Comunidade%20Redpill%20no%20Brasil%20%e2%80%94%20Yasmin%20Morais%20Farias.pdf

Propiciação algorítmica ou reação às políticas de gênero? Antifeminismo e conspiritualidade nas novas mídias digitais. https://www.scielo.br/j/mediacoes/a/bFvwZf5kvWHwWHLx9yJX3rb

Representações sociais emergentes no universo Red Pill e MGTOW brasileiro. https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/download/2870/2181/15370 ; https://www.e-compos.org.br/e-compos/article/view/2870

“Tome a pílula vermelha e saia da matrix!”: Discurso e perspectivas da ideologia red pill no Brasil. https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/23829/1/JBidao.pdf

REDPILL: A PROPAGAÇÃO ONLINE DE UM MOVIMENTO MACHISTA. https://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2024/anais/arquivos/RE_0864_0519_01.pdf

Alfas, redpills e outras polêmicas tragicômicas no YouTube. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/10441751.pdf

O movimento red pill no Brasil e os desdobramentos da misoginia online. https://www.direitoshumanos2025.abrasme.org.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiNTU3XCJ9IiwiaCI6ImVlNjcxN2ZjZGJkYmJmZjAxOWIxYjcyNTY0NTRhODQ1In0%3D

O consumo de discursos red pill e antifeministas na ascensão do conservadorismo nas mídias sociais. https://proceedings.science/comunicon/comunicon-2025/trabalhos/o-consumo-de-discursos-red-pill-e-antifeministas-na-ascensao-do-conservadorismo?lang=pt-br

A ASCENSÃO DO MOVIMENTO RED PILL NO BRASIL: ANÁLISE DA PROPAGAÇÃO DE IDEAIS MISÓGINOS NO INSTAGRAM. https://cdn.prod.website-files.com/655df2405bb5d917601b0774/67d047de9b98be40b43dd787_Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Carolina%20Fontes%20Lima%20Ten%C3%B3rio.pdf

Argumentação polêmica e ideologia em comentários online sobre o feminismo e o red pill. https://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/download/4818/2875

ENTRE POPULISMO PENAL E POPULISMO DIGITAL: discursos masculinistas e a comunidade Red Pill no YouTube brasileiro. https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/view/66936

Narrativas masculinistas e misoginia digital: o papel de Thiago Schutz na propagação do discurso Red Pill no Brasil. https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/19649 ; https://repositorio.ufjf.br/jspui/bitstream/ufjf/19649/1/analuizavieiramorais.pdf

A CASA DOS HOMENS E MOVIMENTO REDPILL/MGTOW: ETNOGRAFIA DE GRUPOS MISÓGINOS EM REDES SOCIAIS NO BRASIL. https://publicacoes.unigranrio.edu.br/amp/article/view/9095

Categorização das novas masculinidades em ambientes socioinformacionais: reflexões a partir dos estudos de gênero. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/9561214.pdf

Os segredos da pílula vermelha. https://revistas.usp.br/matrizes/article/download/223269/217058/780486 ; https://www.researchgate.net/publication/395257973_Os_segredos_da_pilula_vermelha_machismo_e_imaginacao_reacionaria_na_internet

Antifeminismo, desinformação de gênero e grupos masculinistas: reflexões da CI e biblioteconomia no enfrentamento à misoginia no ambiente universitário. https://portal.febab.org.br/snbu2025/article/download/4012/3353

Masculinidades em disputa, violência contra a mulher e os grupos reflexivos. https://ojs.defensoria.sp.def.br/index.php/RDPSP/article/view/221 ; https://ojs.defensoria.sp.def.br/index.php/RDPSP/article/view/221/99

“APRENDA A EVITAR 'ESSE TIPO' DE MULHER”: ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS E MONETIZAÇÃO DA MISOGINIA NO YOUTUBE. https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/publicacoes/RelatrioCompletoEstratgiasdiscursivasemonetizaodamisoginianoYouTube.pdf

A instrumentalização da misoginia: uma análise do fenômeno masculinista no cenário brasileiro. https://static.casperlibero.edu.br/uploads/2025/11/RafaelaLima_Artigofinal.pdf

MASCULINISMO E MISOGINIA NO PROGRAMA JOVEM PAN MORNING SHOW. https://www.scielo.br/j/ccrh/a/qKPYpt4HHbWPvnq94BmDVCn?lang=pt

A queda na toca do coelho branco: o ciberativismo masculinista na formação de grupos de ódio e extrema-direita no Brasil. https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/255954

DOS MOVIMENTOS MASCULINISTAS AO MAL-ESTAR MASCULINO. https://periodicos.furg.br/divedu/article/view/19953

MASCULINISMO: misoginia e redes de ódio no contexto da radicalização política no Brasil. https://web.sistemas.pucminas.br/BDP/PUC%20Minas/Home/Visualizar?seq=1F1530577D6D5382BA593D70E59885EA

MISOGINIA, MASCULINISMO E RESISTÊNCIA NAS REDES SOCIAIS. https://proceedings.science/cshs-2023/trabalhos/misoginia-masculinismo-e-resistencia-nas-redes-sociais-os-ataques-a-lola-aronovi?lang=pt-br

Virilidade e os discursos masculinistas: um "novo homem" para a sociedade brasileira. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1290220

DE MERDALHERES A CONSERVADIAS: O DISCURSO DE ÓDIO MASCULINISTA. https://encontro2023.anpocs.org.br/arquivo/downloadpublic?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNToiYToxOntzOjEwOiJJRF9BUlFVSVZPIjtzOjQ6IjgwNTIiO30iO3M6MToiaCI7czozMjoiNGE1ODZjZTczMjYyOWY0YWY2YzVjYzYyOTVkNDczNDgiO30%3D

MOVIMENTOS MASCULINISTAS E A DISSEMINAÇÃO DA MISOGINIA, MANIFESTOS DE VIOLÊNCIA E DE GÊNERO. https://biblioteca.univali.br/pergamumweb/vinculos/pdf/ANNI%20KAROLINI%20CABRAL%20DIAS.pdf

Desinformação de gênero facilitada pela tecnologia: Gendered disinformation. https://periodicos.ufs.br/conci/article/download/23717/17847/79471

Análise Dos Conteúdos Antifeministas Na Rede Social Instagram. https://www.direitoshumanos2025.abrasme.org.br/trabalho/view?q=eyJwYXJhbXMiOiJ7XCJJRF9UUkFCQUxIT1wiOlwiNDQxXCJ9IiwiaCI6ImMyODNiM2Y1MzYyNmYxOTdlZjY5MWI4MDQ1NzUwOTI1In0%3D

Antifeminismo no Instagram: como conservadores atribuem ao feminismo a culpa por problemas sociais. https://sistemas.intercom.org.br/pdf/submissao/nacional/17/07202024222318669c63060175b.pdf

O CONTRADISCURSO DE RESISTÊNCIA FEMINISTA EM INTERAÇÕES ONLINE: ESTRATÉGIAS NO COMBATE AO ANTIFEMINISMO. https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/56524 ; https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/56524/5/2020_dis_scabreu.pdf

Extremismo e lutas por falso reconhecimento: uma análise dos grupos masculinistas brasileiros (Bruna Silveira Martins de Oliveira).  https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/742526a0-6da0-4d9f-869d-8026fd4fa480/content

 

 

REFERÊNCIAS

BRAY, Mark. Antifa – O manual antifascista. P. 257/258 – versão digital.

COUTINHO, Sérgio. A Revolução Gramscista no Ocidente: a concepção revolucionária de Antônio Gramsci em Cadernos do Cárcere. P. 53 – versão digital

O apoio da Rússia a movimentos como Antifa e Black Live Matters https://www.estudosnacionais.com/42767/o-apoio-da-russia-a-movimentos-como-antifa-e-black-live-matters/

Todo socialista é um assassino, só espera a oportunidade. Mensagens de aprovação ao atentado contra Kirk. https://x.com/reportersalles/status/1966111078238269840

domingo, 18 de janeiro de 2026

As feministas tomaram parte ativa na ascensão do regime teocrático dos Aiatolás

 



Poderíamos traçar o feminismo desde sua origem, compilando um por um os marcos fundamentais pelos quais a geração posterior de feministas constrói a sua retórica, apoiando-se ou confrontando na antecedente. A sua citação é possível, sim, mas a expansão com comentários suplementares ficará para depois, uma vez que a exposição minuciosa das ideias centrais desses documentos está fora do escopo neste exato momento.

Em paralelo ao contexto revolucionário francês do século XVIII, temos a publicação da obra Reivindicação dos direitos da mulher (1792), por Mary Wollstonecraft, ao lado do ativismo de Olympe de Gouges que visava estender às mulheres os valores encampados pelos revolucionários.

Com reveses, de maneira gradual, o caldo feminista vinha sendo encorpado desde então, mas o seu caráter é de rebelião contra a figura de autoridade, casando com os propósitos das revoluções. A Revolução Francesa deu o pontapé inicial para futuras quebras das estruturas sociais, foi um ensaio para as subsequentes revoluções e sempre gerou entusiasmo em Vladimir Lênin.

Passando ao século seguinte, houve a Convenção de Seneca Falls (1848), por Elizabeth Stanton e Lucracia Mott, que reuniu um grupo minoritário de homens com uma maioria feminina, a fim de emitir uma Declaração, que pugnava pela extensão de direitos às mulheres norte-americanas, fazendo um paralelo com a declaração de independência.

Em 1884 eis que surge uma base fundamental para o feminismo e a questão de gênero, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” de Friedrich Engels, com alguns apontamentos reunidos por ele, escritos pelo então falecido Karl Marx. Essa obra é responsável por conferir às relações entre homens e mulheres a tônica de luta de classes, que persistirá até os dias atuais como patrimônio comum do movimento revolucionário.

Engles escreveu que:

Em um antigo manuscrito inédito, elaborado por Marx e por mim em 1846, encontro o seguinte: “A primeira divisão do trabalho foi a que ocorreu entre homem e mulher visando à geração de filhos”. E hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo sexo masculino[1]. (grifos nossos)

 

Seguiu-se uma série de etapas. Em primeiro lugar, não se colocaram contra a religião, apenas buscaram reconfigurá-la (Seneca Falls ocorreu em âmbito protestante, numa Igreja Wesleyana).  Com a maturação da questão, desprendeu-se completamente das amarras sociais e não mais sentiu a necessidade de pagar tributo aos valores tradicionais, passando à negação ativa, ao trabalho crítico continuado por nomes como Beauvoir, Betty Friedan, Margaret Sangers, Kate Millet, Solanas, Judith Butler, dentre outros integrantes do hospício da pseudociência que funciona como motor do fenômeno revolucionário. As feministas atacam a religião em duas frentes simultâneas: primeiro, enxertando conteúdo herético e conspurcando conceitos religiosos (exemplo: estudos de ideólogos questionando se o conceito de Deus é masculino, etc..); em segundo plano, classificando a religião cristã como produto paternalista que serve aos interesses de uma sociedade machista.

No primeiro volume de sua obra “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir dissertará sobre a associação do feminismo com o socialismo, asseverando que:

 

O feminismo revolucionário reata com a tradição saint-simoniana e marxista; (...) Em 1879, o congresso socialista proclamou a igualdade dos sexos e, desde então, a aliança feminismo-socialismo nunca mais foi denunciada, porquanto é da emancipação dos trabalhadores em geral que as mulheres esperam a liberdade, não se prendendo senão de um modo secundário à sua própria causa[2].

 

Essas questões, que num primeiro momento nos parecem teóricas, podem ser complementadas com um evento ativista do campo esquerdista ocorrido pouco mais de um mês atrás. 

Em 7 de dezembro de 2025 houve um ato na Avenida Paulista contra o feminicídio, a principal organização responsável foi o Movimento Nacional Mulheres Vivas (também chamado de Levante Mulheres Vivas). Usando de seu poder de mobilização de grupos sociais à frente da guerra cultural, esse ato foi repercutido em diversos estados da federação.

A política psolista Sonia Guajajara, atual ministra dos povos indígenas, escreveu: “O ato na Av. Paulista deu o recado: mulheres vivas! Hoje estive no ato em Brasília, mas não pude deixar de acompanhar as imagens de São Paulo. Uma sociedade que se cala em relação à violência contra a mulher jamais poderá avançar. Pelo Brasil inteiro, vamos juntas![3]

Navegando no delírio de que haveria um extermínio de mulheres no País somente pelo fato de serem mulheres, o ato reuniu agentes políticos como Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Luciene Cavalcante (PSOL-SP).

A CUT (Central Única dos Trabalhadores)[4] também esteve presente na manifestação, divulgando em suas redes sociais as cidades e os respectivos horários.

Influenciadores de esquerda, como a celebridade Luísa Sonza também marcaram presença no evento, que embora não tivesse caráter partidário expresso, nem por isso deixou menos evidente em qual espectro da política se encontrava, havendo gritos de oposição ao tal do bolsonarismo.

Os esquerdistas que fogem da linha e apresentam comportamento, aos outros tidos como machistas, são denunciados como esquerdomachos, e seu comportamento desviante é objeto de censura e zombaria por parte da própria bolha de militantes.

Podem apontar o quanto quiserem para tais ou quais medidas feministas aprovadas em governos com viés direitista, o feminismo continuará com o seu DNA esquerdista e figurará na condição de força política acoplada aos projetos revolucionários. O coletivo feminista que organizou essa manifestação opõe-se a governos tachados de conservadores, como o de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), acusado de reduzir verbas para delegacias da mulher e negar proteção policial ao ato[5].

Ao lado da entidade principal que coordenou o evento, várias outras estiveram presentes. Não houve presença de entidades vinculadas à direita, o que foi traduzido pelos órgãos de propaganda como a baixa preocupação pelo bem estar das mulheres por parte dos direitistas, reforçando a imagem de misoginia e desprezo à condição feminina.

Dito isso, o movimento feminista é politicamente organizado e ideologicamente orientado em vistas dos objetivos práticos das forças políticas às quais ele se encontra vinculado. No caso da revolução iraniana de 1979, várias entrevistas e fontes de participantes daquela agitação política atestam como as frentes progressistas foram fundamentais para a ascensão do atual regime, inclusive frentes feministas. Sim, as feministas fizeram parte ativa do esforço conjugado que possibilitou a ascensão do Aiatolá.

Chahla Chafiq[6] era uma feminista iraniana que apoiou a derrubada do Xá em 1979, depois teve que viver exilada na França. Em uma entrevista, ela relata que existiam vários grupos discretos e, quando a revolução aconteceu, eles vieram à tona. Nesse contexto, antes do estabelecimento total do regime, ela havia integrado “um círculo de marxistas-leninistas e (...) uma organização estudantil de esquerda”.

Quanto aos agrupamentos revolucionários, havia os Tudeh, de viés pró-soviético; os Fedayeen, também pró-soviéticos, porém com simpatias cubanas mais acentuadas; os Line Three (Linha Três), esquerda independente; por fim, os Mujahedin, esquerda islâmica.

No fim das contas, os grupos revolucionários passaram a apoiar os religiosos teocráticos, enxergando neles uma corrente “anti-imperialista”.

Obtido o poder, as revoluções precisam promover o alinhamento e daí se segue um período de expurgos, com a consolidação da corrente revolucionária prevalente, todos os demais grupos de esquerda que a auxiliaram passam a ser alvos e subjugados pelo partido dominante. Isso aconteceu na França, na Rússia, na China, na Nicarágua, etc...

Enquanto Khomeini retornava do exílio e montava a estrutura autocrática de censura, os grupos esquerdistas que auxiliaram na edificação do regime ainda assim não o considerava inimigo número um, posição esta ocupada pelo tal do “Ocidente”.

Outra opositora do Xá que se somou à revolução de 79 foi Minoo Jalali, que também nutria expectativas de liberalização, frustradas pelos muçulmanos.

Uma coisa interessante contida na entrevista de Chahla Chafiq, é o fato de ela mencionar que, embora pertencesse a grupos socialistas contrários ao viés religioso dos islamistas de esquerda, isso não os impediu de apoiarem os mullah como contrapontos ao Ocidente. O socialista crítico do cristianismo, que gosta de posar de racionalista materialista, pode chegar ao ponto de capitular diante de um regime teocrático ou facilitar a sua ascensão.

Houve um surto pós-revolucionário no Irã após a subida do regime teocrático, mas as feministas já haviam cumprido o seu papel e foram devidamente reprimidas, como idiotas instrumentais que são e nunca deixaram de ser, ao contrário do que vem sendo sustentado em outras paragens. O papel desempenhado por esses grupos é o de trabalho crítico, sua função é erodir as bases da sociedade em que se encontram, explorando as contradições nela existentes.

Qual seria, então, a posição delas no que toca à questão islâmica e a República Revolucionária do Irã? A posição das feministas foi o de apoio à revolução iraniana, vista como um salutar golpe desfechado contra o imperialismo e ocidentalismo. Imaginava-se que o islamismo revolucionário seria uma etapa provisória, posteriormente substituída por estrutura política de feições diversas, laicas até. Apoiaram naquela oportunidade, e continuam apoiando até agora, já que os mesmos partidos políticos que abrigam pautas feministas por excelência são aliados do regime de Teerã, tanto PT, quanto PSOL ou a esquerda norte-americana e europeia encaram os recentes ataques como violações à soberania iraniana, críticas ocasionais sobre a questão das mulheres são seguidas por apoio à manutenção do regime.

Elas entendem que, apesar das imposições do Estado teocrático, aquele regime compartilha do mesmo inimigo que elas, então as críticas não são tão contumazes quanto deveriam, caso o objetivo dos movimentos feministas fosse de fato a igualdade e o bem estar das mulheres.

Recentemente, a feminista brasileira Isabella Cêpa teve que se exilar na França devido à perseguição política por críticas feitas a candidatos da ideologia de gênero. Tendo notícia de que o inquérito contra ela fora arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, ela resolveu retornar ao País, mas adivinhem o que aconteceu... foi processada novamente pela mesma pessoa.

Hoje, a República Revolucionária pertence ao eixo esquerdista internacional formado por China, Rússia e regimes socialistas como os da América Latina. Todo o conglomerado socialista que abriga pautas feministas deseja igualmente a manutenção do regime dos Aiatolás, pouco importando a repressão que este venha exercer contra as mulheres iranianas.

Falsa, portanto, a alegação de que a população feminina que integra a revolta iraniana é um elemento militante feminista, já que toda a rede internacional busca blindar o governo de Teerã das críticas e oposição necessária, pois compartilham da aversão nutrida pelos revolucionários com relação ao “grande satã” (Estados Unidos) e o “pequeno satã” (Israel).

A afinidade entre grupos islâmicos terroristas e a esquerda não é de hoje. Judith Butler, a ideóloga feminista de terceira geração, ao tratar de grupos como Hamas, confessou que fazem parte da rede global de esquerda, os grupos militantes islâmicos integram o mesmo front de esquerda no qual se situa o feminismo, daí a passividade geral das militantes com relação às imposições da sharia contra as outras mulheres. (Judith Butler : "Le Hamas et le Hezbollah font partie de la gauche mondiale", disponível em https://youtu.be/JTxsPkPHOMs?si=4Kijt3RVkDKLcEZf)

Por décadas, os países ocidentais foram alvo de operações psicológicas e de guerra cultural visando alterar o comportamento de suas mulheres e, a partir delas, modificar o comportamento geral, as sementes de revolta que se encontram no campo inimigo não devem ser dispensadas.

Trocando em miúdos: com fotinha ou sem fotinha de mulher fumando cigarro, o regime podre dos aiatolás merece ser desafiado, principalmente quando aqueles que o desafiam podem ser sancionados pela pena capital, o que demonstra uma coragem que muitos no Brasil não teriam.

Então, ponto a ponto, os sofismas são deixados de lado, nenhum esquerdista tem moral para falar nada sobre antifeminismo, já que o feminismo se trata de um produto das correntes revolucionárias, e revolução é algo que deve ser rejeitado integralmente, tanto nas propostas, quanto nas suas causas e seus efeitos.

A esquerda pariu o feminismo, que se criou no ativismo socialista e anticonservador, e depois de colocar fogo na casa pretende aparecer com o extintor e jatos de água, reivindicando a condição de contraponto à decadência civilizacional.

A subida de Khomeini, o primeiro aiatolá, se deu por um esforço conjugado de grupos socialistas, que continham feministas, depois arrependidas e exiladas. Fizeram a cagada, observamos agora uma revolta generalizada diante das imposições do regime e, se conseguirem a restauração monárquica, estarão voltando ao ponto zero que motivou a revolução de 79.

Quando um malfeito é executado, a exigência mínima é que os grupos que o provocaram se mobilizam para consertá-lo. As execuções de manifestantes, inclusive de mulheres, é algo real, o que demonstra que as fotos de transgressão aos valores islâmicos, queimando a imagem do chefe teocrático e utilizando-o para acender cigarros, são arriscadas. Se elas não estivessem fazendo isso, deveriam ser empurradas para fazê-lo, para derrubar o regime socialista que a geração passada ajudou a construir, então o sangue das mulheres atuais é o preço para compensar a burrice das mulheres passadas. Uma troca justa.

Foi divulgada a notícia de que o jovem iraniano seria executado por protestar contra a autocracia, este sujeito poderia ser você, caso tivesse nascido naquele país e fosse dotado de bolas o suficiente para se posicionar contra o governo, sabendo que correria risco de morte. Então o enquadramento feito pelo discurso retórico de que os protestos seriam por razões patriarcais é destituído de base, as revoltas são por vários motivos, inclusive por falta de água e necessidades básicas da população que não foram supridas, ou seja, vai muito além da mera questão ideológica.

Então temos aqui um castigo triplo, exige-se que: 1) a geração atual de mulheres iranianas se coloque em risco, de prisão ou morte por execução; 2) muito provavelmente tenham novamente o Xá na posição de realeza, algo que as revolucionárias de 79 não queriam; 3) Não gozem do mesmo respaldo que as revolucionárias tinham dos grupos ideológicos de causa feminina – a rede internacional feminista está cagando para a situação das manifestantes que se posicionam contra a República Revolucionária Islâmica (a não ser que consideremos manifestações isoladas de repúdio como atos efetivos, tanto quanto a liberação de dinheiro aos aiatolás, que o partido democrata dos EUA fez quando Biden era presidente).

Na foto, um cartaz da organização feminista CODEPINK, que iniciou uma campanha contra as ações militares dos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, pedindo o fim das hostilidades contra o regime de Ali Khamenei.

 



[1] ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, do Estado e da Propriedade Privada. Boitempo. Tradução de Nélio Schneider. P. 32.

[2] BEAUVOIR, Simone. O Segundo Sexo – 1. Fatos e Mitos. Difusão Europeia do Livro. 1970. Tradução de Sérgio Milliet. p. 159 – versão digital.

Betty Friedan: de militante comunista a dona de casa crítica do conservadorismo norte-americano

  Um dos livros mais asquerosos que tiveram impacto na mentalidade moderna foi “A Mística Feminina” (1963) de Betty Friedan. Essa publicação...