sábado, 31 de outubro de 2026

Direita e Antifeminismo

 


O tal PL da misoginia, mais propriamente denominado de projeto da censura rosa, foi proposto pela Senadora Ana Paula Lobato, suplente de Flávio Dino. Essa senadora ocupou a vaga no senado depois de falhar na carreira política do Maranhão, tendo recebido apenas 29 votos na disputa para Assembleia legislativa do seu Estado [1]. As anomalias da República oligárquica permitem esse tipo de distorção por meio do qual gente sem representatividade alguma é catapultada para altas posições devido a arranjos eleitorais. Coligações, mágicas de coeficientes, conveniências, enfim, tudo quanto é tipo de gambiarra.

O Projeto de lei é bem singelo e conta com apenas três artigos, mas com o impacto que justifica a repercussão. Embora o debate institucional e legislativo seja relativo à força bruta do Estado, os problemas apenas apresentam fase jurídica quando já se encontram suficientemente alastrados, como uma superfície preenchida por fungos é prova de que o fruto inteiro está corrompido.

Os centros ideológicos e pseudo-especialistas precisam constantemente reforçar a imagem de um sistema montado e voltado à perseguição do sexo feminino, ao ponto em que candidatos não esquerdistas passam a falar em “feminicídio”, sendo que estatisticamente o homicídio de homens é incomparavelmente maior que o de mulheres.

O pré-candidato ao governo do Rio Grande Sul, então deputado Zuccho, disse numa entrevista ao portal Timeline sobre a gravidade do feminicídio, como se os índices estivessem atingindo a Lua e esquadrões de homens estivessem perseguindo mulheres, em furgões descaracterizados. O candidato prossegue papagaiando aquilo que marketeiros e propagandistas provavelmente sopraram em sua orelha.

Em resumo, a direita debate nos termos da esquerda e tem medo de ser julgada ao se desviar desse círculo.

E aqui chegamos à questão Bolsonaro, como extensão quase natural desse padrão de repetição de clichês do sistema socialista na própria direita que pretende combatê-lo.

O então pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, foi confrontado em razão de seu voto favorável ao projeto de lei da censura rosa, que sob o pretexto de misoginia visa implementar uma censura a conteúdos que sejam tachados como “desfavoráveis às mulheres”. Apropriadas pelo movimento feminista, seja por inércia própria ou por força de mobilização da esquerda no tocante a essa pauta, qualquer crítica aos costumes e militância feminista poderá ser considerado ato de misoginia, dada a larga interpretação que um judiciário usurpador granjeará para si próprio, como tem procedido até a presente data, com a cumplicidade de doutrinadores e palestrantes que aceitaram colocar a técnica e o constitucionalismo em suspenso a fim de exaltar as modinhas contemporâneas.

Esse resguardo das fraudes ideológicas por escritores, professores e operadores da área jurídica é mil vezes mais grave do que a demagogia em plenários e negociatas de bastidores palacianos, envolvendo agentes político-partidários.  

Quanto à legislação sexista, o assunto não é novo. O próprio pai de Flávio, presidente entre 2019 e 2022, conta com histórico de conivência e respaldo à agenda feminista, encampada pela esquerda, e que encontra ressonância na atuação política da direita, seja por burrice, quando se considera que esses dispositivos são de fato protetivos das mulheres, ou por burrice ao quadrado, quando se conhece a intenção escusa dos referidos mecanismos, mas se coloca um cálculo político eleitoreiro como pretexto para inseri-los na legislação, como se pudessem ser retirados com facilidade depois e não fossem contribuir para o fortalecimento das próprias facções sexistas, opostas aos conservadores.

Flávio Bolsonaro tentou explicar seu voto. Conseguiu que a explicação contradissesse a própria posição na votação ao confessar que isso é uma forma de censura nas mãos da esquerda. A sua alegação para votar a favor era que se tratava de uma armadilha e que teria que passar a campanha inteira tentando se justificar, esforçando-se para afastar a pecha de machista, agressor e etc...

Foi alegado que o seu voto não teria impacto no Senado e que a partir daquele momento se deveria atuar para reverter isso na Câmara. Nesse caso, questiona-se qual é a moral que alguém que votou a favor de projeto feminista de censura rosa teria para cobrar do deputado que ele vote contra? A passividade não é uma qualidade de bons líderes e, considerando que ele disse à imprensa que o projeto era uma armadilha e que servia à censura, poderia ter votado contra utilizando essa mesma justificativa em tom firme e acusatório.   

E outra, supondo que o voto dele fizesse diferença, se ele fosse o voto de minerva para definir se o projeto passaria ou não passaria? O que aconteceria? Provavelmente ele votaria a favor alegando que a pressão era enorme e usaria de novo o mesmo argumento de que seria uma "armadilha". Se ele titubeasse, bastaria dizer que o seu voto contrário ao projeto seria exposto em cinco minutos de Jornal Nacional, ameaça que faz tremer muitos políticos.

O momento de fraqueza serviu de plataforma para que outros adversários, que se apresentam como direitistas, passassem a criticá-lo, em que pese esses mesmos também compartilhassem das pautas demagogas sexistas, elementos estes que não chegam perto do aspecto anti-sistêmico do bolsonarismo. Por exemplo, o grupo de centro-esquerda, MBL/Partido Missão, cujo deputado Kim Kataguiri propôs projeto de lei feminista no sentido de aumentar penas por “importunação sexual”[2], o que se converte num pretexto para expansão punitiva contra homens, considerando que o ônus probatório da acusação é letra morta para casos nos quais mulheres são sujeitos passivos de delitos. O mesmo deputado propôs porte de arma para mulheres em circunstâncias de violência doméstica[3].

ANTIFEMINISMO E DIREITA

Se uma pessoa é antifeminista, o mínimo que se espera é que ela conheça a gênese e o desenvolvimento do movimento que ela diz ser contra, o que basta para constatar que é um movimento de viés anti-conservador e que atua, dialeticamente, contra as bases da sociedade em que se encontra.

O feminismo não é algo para a direita, as feministas não pertencem à direita, tampouco as suas pautas. Isso significa que atos favoráveis ao seu projeto contribuem para o aumento do poder político e cultural da esquerda ou, como alguns ampliam, para o movimento revolucionário. Quanto mais um político legisla a favor dessa linha, mais perde poder e se corrói no médio e longo prazo, tendo inclusive de escutar a reclamação de sua base e lidar com as vantagens concedidas aos seus inimigos.

O feminismo é um movimento revolucionário de esquerda e não pode ser submetido a uma engenharia reversa por meio da qual seus adversários dele se apropriam e o desfazem. Nenhum dos agentes políticos anti-esquerda pode propriamente ser denominado de feminista, o que podem ser acusados é de prestarem apoio material a projetos, iniciativas e articulações feministas, embora não subscrevam o programa da agenda.

A imagem motivadora desses agentes não é aquela proposta pelo programa feminista, mas a de que estão protegendo as mulheres comuns de parceiros agressivos e abusos similares. Essa tendência protetiva é estimulada desde o jardim de infância, com aquele ditado segundo o qual em mulher não se bate nem com uma flor, alimentada com a concepção de que são criaturas dóceis incapazes de apresentar um aspecto profano.

A visão mangina é levada em consideração por parte considerável da população, essa visão de que por trás dos dispositivos está uma manipulação e plataforma para abusos por parte das mulheres não é popular, nem ganha expressão em trabalhos especializados, antes é objeto de censura e escárnio, o que não deve servir para desestimular a constância na demonstração da realidade por parte daqueles que conhecem a perversidade do Estado formatado por padrões feministas.

Os quadros políticos são resultado do que a sociedade está discutindo e os candidatos não irão encampar posições que se encontram restritas a vozes isoladas e bolhas sem que o aparato ideológico do feminismo seja vencido primeiro.

Para se ter uma ideia, a maior parte do material trazido para o debate público foi por meio de traduções e de casos que ocorrem no estrangeiro, seguindo a regra periférica de que muito do que acontece no Brasil ocorre por meio de repercussão. Isso não obstou a que canais antifeministas prosperassem tratando de peculiaridades locais, como políticos e celebridades.

A ideia de um complô feminista (ou de misandria) será encarada pelo cidadão médio como digna de mentalidade conspiracionista, os ignorantes precisam arrumar um jeito de retalhar noções para fazer caber no formato que eles viram na televisão, jornais, novelas e entrevistas de falsos especialistas.

Embora esses atos de conivência sejam observados nos atos daqueles que ocupam espaços de decisão, como deputados, senadores, secretários, governadores, presidentes, etc..., isso repercute nas suas bases. No caso da censura rosa, não foi nem uma, nem duas ou três vozes que criticaram a postura do candidato, que contou com o reproche de vários direitistas, intelectuais, jornalistas ou políticos, para citar alguns: Paulo Figueiredo, Allan dos Santos, Júlia Zanatta, Bia Kicis, Mário Frias, Flávio Gordon, João Eigen, Fernanda Salles, Ludmila Lins Grilo, Marco Antônio, Nikolas Ferreira, Ricardo Salles dentre outros, inclusive o próprio irmão Eduardo Bolsonaro, que antes da votação do referido projeto publicou em sua rede social uma postagem contrária ao PL, advertindo acerca da necessidade de a direita não cair nesse tipo de conversa.

Após a votação unânime no Senado, Janja publica vídeo dizendo que haveria um esforço do Planalto no sentido de que esse projeto seja aprovado também na Câmara, aproveitando o momento para forjar uma imagem de que os contrários ao projeto estariam a favor da violência contra as mulheres, o mesmo espantalho que será utilizado ad nauseam caso ele seja aprovado e para colocar em prática o seu verdadeiro intuito de censura e deformação social generalizada.

Nesse instante, existem ao menos duas correntes dentro da anti-esquerda: uma desejando vender o movimento de aprovação como mega estratégia eleitoral pensada, manobra inteligente que produzirá frutos com ganho de votos, outra apontando o erro e que esse tipo de atitude era fortalecer o campo inimigo.

Enquanto a direita pensa em eleições, os revolucionários pensam em poder. Antes mesmo de sentar na cadeira presidencial já se observa o grau de subserviência à agenda inimiga. Se antes a aprovação de absurdos feministas era vendida como necessária para manter a presidência, na disputa pelo Palácio a alegação era de que seria necessária para voltar ao posto máximo da República. O fracasso da estratégia anterior, não servindo de referência para a reformulação da posterior, explica a repetição do mesmo fracasso, a concessão à demagogia resulta em nada no tocante à conversão dos votos femininos (isso para não falarmos em fatores ocultos que desempenham papel de peso no pleito). A questão é que o raciocínio provavelmente foi elaborado por um marqueteiro que não conhece nada sobre feminismo e movimento revolucionário, alguém que mapeou a votação por sexo e tentou elaborar uma estratégia para reverter o quadro desfavorável entre mulheres com relação ao candidato.

A “machosfera” nada mais é do que um cluster de posicionamentos antifeministas, descentralizados, orgânicos, predominantemente digitais e que não possuem poder de decisão sobre as pautas que são aprovadas.

Em circunstâncias ideais, o antifeminismo deveria ocupar a mesma posição das principais pautas que os adversários da esquerda compartilham. A questão feminista deveria possuir o mesmo rigor da questão do aborto, por exemplo. Nenhuma pesquisa deve influenciar a posição do candidato na questão do aborto, ele deve ser contra, o mesmo vale para o armamento civil. Estende-se essa lógica para a questão do feminismo.

Enquanto o voto a favor do projeto de censura rosa repercutiu negativamente no polo antiesquerdista, o tema prosseguiu livremente no campo da esquerda. Enquanto na direita a base cobra e se rebela, a esquerda interpreta o momento como sinal verde para seguir adiante, dado o baixo grau de esclarecimento e coragem na liderança de seus adversários no tocante a essa pauta.

A falácia do conquistar os votos das mulheres

A mulher brasileira padrão é uma noveleira, cativa de televisão e órgãos da propaganda semi-estatais como a Globo, não possuem vontade alguma de entender temas relevantes ou profundos. Quando elas tomam a palavra “estudo”, isso significa ter um título que as tornarão aptas a obterem alguma função ou emprego. Elas são como esponjas, absorvem todas as modinhas que a televisão reproduz ou a academia elabora. Elas deixaram de servir ao marido e obedecer à Igreja para servir ao Estado.

O marqueteiro desconsidera o fator revolucionário e olha fixamente para a informação de que as mulheres correspondem a 52,65% do eleitorado [4]. Se as mulheres são a maioria do eleitorado e aprovar medida pró-mulher traz voto feminino, tem-se como conclusão de que o candidato vai conseguir melhorar sua votação nesse eleitorado ao se posicionar favoravelmente a medidas demagogas do campo feminista.

Não precisávamos esperar para as eleições de 2026 para elaborar um quadro do que provavelmente ocorrerá, porque temos dados da eleição passada de 2022. Em 2022, Luis Inácio teria sido eleito já no primeiro turno se apenas os votos femininos fossem levados em consideração.  Consultando os dados do portal Poder 360, tem-se que a quantidade de votos femininos se distribui em 57% para Lula e 32% para Bolsonaro.

Logo, contrariando o raciocínio do marqueteiro e da demagogia política, projetos que atendem a finalidades de supremacia feminista não trazem votos para opositores da esquerda, pois essa questão já é própria do campo canhoto. Sendo assim, ainda que Flávio vencesse, esses apontamentos feitos aqui continuariam intactos, Lula continuaria com uma ampla margem de votação entre as mulheres. 

Vamos fazer um apanhado contrastando cada um dos espectros e seu posicionamento diante da corrente ideológica feminista.

De um lado observa-se a docilidade cúmplice, motivada pelo manginismo, enquanto do outro temos a militância enragée motivada pelo feminismo propriamente dito.

Com a revolução, o feminismo é feito por engajamento e vinculação, na direita ele é de associação frouxa e episódica; com a revolução, a colaboração para o feminismo é ativa, enquanto que na direita a colaboração é passiva, buscando surfar numa onda provocada pelo campo esquerdista. Com a revolução, fala-se em feminismo propriamente dito, no conservadorismo o motor não é feminista, mas ginocêntrico e movido por manginice.

Ainda, com a revolução, o feminismo é essencial e se incorporou como patrimônio comum da luta insurgente, absorvido enquanto propriedade do movimento esquerdista inteiro, no direitismo ele ocupa um papel acidental e é obedecido não por razões de pertinência, mas de hegemonia cultural e política, somada à incapacidade de se criar ou fortalecer uma linguagem própria (por exemplo, quando um agente político aleatório apela a clichês como feminicídio, violência doméstica contra mulheres e homens agressores como ocorrências universais que exigem pronta intervenção estatal, excluindo da discussão a manipulação desses instrumentos legais para finalidades supremacistas das feministas).

Fora da esquerda, a verve manginista se choca com outra: a liberdade de expressão; já na esquerda o impulso  feminista converge com a vontade de censura, resultado numa mistura potente e auxiliar da consolidação do regime.

Então no campo revolucionário, o feminismo está em casa, enquanto que no espectro em que lhe é oposto ele não é mais que um corpo estranho, que entrou convidado, e passou a envenenar todos os copos da casa para se livrar ou enfraquecer os seus habitantes. 

Na onda revolucionária, o feminismo fortalece a esquerda e satisfaz os aglomerados grupais engajados na luta cultural; na direita, por sua vez, ocorre o enfraquecimento e insatisfação da base (o que por si só já é uma evidência do seu caráter de corpo estranho na atuação política direitista).

A oposição ao feminismo não pode ser simplificada como mero fenômeno de classe, como se, observada a atuação das feministas no sentido de sequestrar os interesses da “classe” feminina, haveria um contra-movimento masculinista para representar os interesses de classe dos homens. A situação é mais grave e não se trata de um mero sindicato de sexos.

Não é o interesse de classe que sustenta a oposição ao feminismo, mas o fator moral. Sem base moral, as reivindicações se tornam fúteis ou indiferentes, como se se tratasse de um grupo de funcionários públicos cujas associações pleiteiam aumento, reajuste e vantagens estatutárias, pouco importando o cenário geral do País ou do mundo. Sempre que o problema for de interesse de classe, sabe-se que é apenas uma categoria em busca de benefícios a mais, então poderemos sempre lhes opor o famoso “e daí?”. Por outro lado, quando o fundo da questão for algo relacionado à Justiça e à Moral, esse “e daí?” só poderá ser pronunciado por canalhas.

Ancorada na revolução sexual, existem alguns pontos basilares que justificam a natureza revolucionária do feminismo.

As experiências revolucionárias focam em Igualitarismo. Daí a necessidade de, sob uma pretensa igualdade, fazer tábula rasa das relações entre homens e mulheres, sustentando privilégios artificiais com a justificativa de se atingir a “igualdade material” que a doutrina e constituição impõem.

A direita não é igualitária e se orgulha disso, o que a coloca em rota de colisão com as pretensões de feministas e seus anexos. A própria ideia de divisão de papéis sexuais evoca a distinção natural existente e que é negada pela pseudociência cultivada em think tanks, sendo essa negação a coluna vertebral do feminismo, que repete o non servit: o “não servirei”.

A direita se afasta de fórmulas estatizantes, enquanto o feminismo só consegue se impor de fato com o auxílio do Estado. Doutrinas que advogam um modelo estatal mínimo entram em rota de colisão com as pretensões de articular os mecanismos estatais para fins de supremacia feminista, inevitavelmente ligada ao aparelhamento. Doutrinas de Estado mínimo constituem obstáculo à formatação do Estado cafetão que as feministas precisam para se imporem com efetividade.

O liberal da escola austríaca, Ludwig Von Mises, fez observações acerca do feminismo e a sua possibilidade de se transformar num fator nocivo à sociedade (isso na década de 30), embora o liberalismo não seja suficiente para combater feminismo, é a base moral que o faz.

Cotas para mulheres em vagas de emprego, delegacias especializadas, diplomas legislativos específicos para servir aos desígnios das mulheres nas posições de esposas, mães ou meras namoradas, maternidade solteira subsidiada, até a distribuição de absorventes com dinheiro público e disponibilização de funcionários de bar ou boate para levar a baladeira até o seu carro são fatos representativos da formatação estatal conforme essa figura da mulher moderna.

É o quadro de um ciclo que não é quebrado de uma hora para a outra e depende de análise prévia e adequada para uma condenação forte. Ao contrário do que afirmam alguns, de que os homens estão esclarecidos acerca desse estado de coisas, eu afirmo que eles estão, no máximo, abertos ao esclarecimento (ainda assim, nem todos). O esclarecimento naturalmente conduz à ação, o conhecimento sobre determinado tópico implica na modificação de atitudes e, no caso de que tratamos, haveria a formação de associações, círculos de debates, grupos, inclusive grupos organizados para lobby, produção de material como livros, cartazes, músicas e etc..., tudo isso geraria um desafio aberto à demagogia dos cultistas do gênero.

O só fato de que o projeto de lei da censura rosa contou com aprovação unânime no Senado da República já significa que não há essa conscientização no nível que se imagina. Após décadas de lavagem cerebral, os políticos aprenderam a repetir mantras e clichês típicos dessa ideologia como se dotados fossem de validade universal. O esclarecimento feito pelos antifeministas implicaria na existência de desafios efetivos à hegemonia sexista, então o candidato poderia abertamente contestar todas as medidas propostas, falar em termos verdadeiramente antifeministas como se de fato fosse uma posição politicamente aceita e evidente, sem se acovardar por medo de um massacre midiático.

Então existem esses dois fatores no panorama psicossocial, sendo um o feminismo organizado (que conta com think tanks, base literária, fundo cultural e militância paga), outro o manginismo difuso e tapado, compartilhado por homens anacrônicos, idealizadores da figura da mulher de uma maneira quase mítica.

Algumas movimentações dentro do masculinismo buscaram influência na política, como é o caso do direito dos homens. O fato é que existe uma predisposição entre os homens de ridicularizar as iniciativas com caráter político. Se para as feministas o pessoal é político, nos homens vigora a ilusão de que basta fechar-se numa caverna, viver no modo ghost ou pílula alguma coisa que a tempestade passará em um determinado momento.

Antifeminismo existe?

Grosso modo, o candidato merece ser criticado diante da concessão feita à agenda feminista, com a constatação de que com ela ele não se confunde, nem se coloca na posição de adepto. Assim, é possível avançar ainda mais a observação para atestar que antifeminismo de fato só pode existir como contraposição aos esquerdistas.

Com o truque semântico de se atribuir a alcunha de progressistas, eles se colocaram na posição de antever os posteriores estágios da civilização, num movimento de regresso e progressão, podendo jogar aos adversários o anátema que a primeira expressão evoca. Justamente por essa distorção é que os antifeministas são jogados para a categoria de trogloditas e neandertais, o que faz total sentido para a visão dos revolucionários, porque o feminismo já é um ponto fixo e irremovível da sua agenda, alinhada com o “progresso”.

Diante do cenário que se desenha, os não revolucionários podem prosseguir adotando a linha de tentar “roubar” (com muitas aspas) a pauta feminina para si, e alimentar a legitimidade dessa questão, ou podem elaborar uma postura própria de contraposição às narrativas e falácias a eles impostas. A tática eleitoral se insere na primeira opção, que já é fracassada desde o início; o segundo caminho é o que daria expressão a um antifeminismo genuíno.

No mais, resta óbvio de que, enquanto movimento, o antifeminismo não existe, mas se tiver de existir, terá a sua expressão aonde existem vozes críticas ao feminismo, não no bloco maciço que abraça essa causa como sua própria identidade. Foi a direita quem buscou investigar a versão completa do caso Maria da Penha, provocando reações do sistema feminista consolidado e seus agentes político-ideológicos no Ministério Público e Judiciário, que participam dos simpósios e demais rituais cívicos para manter viva a irracionalidade de suas pautas.

O jornalista conservador Ricardo Roveran afirmou categoricamente que o ex-marido de Maria da Penha é inocente. Críticas ao caso Ferrer são recorrentes nos círculos midiáticos antiesquerdistas, o que demonstra que muitos não estão dispostos a aderir à narrativa predominante e que essa tendência mangina apresenta fraturas consideráveis, que poderiam ser exploradas por um antifeminismo autêntico.

Eleições?

Embora as eleições não resolvam tudo, podem atrapalhar bastante. No caso específico das eleições brasileiras de 2026, assim como ocorreu em 2018, não havia espaço para alimentar a ilusão de um governo proativamente antifeminista.

Por isso mesmo, a posição segundo a qual se deveria “abandonar o antifeminismo” deve ser descartada de imediato. Isso foi defendido recentemente por uma autora que abordou o tema em recente livro, ela diz “abandonem o antifeminismo”, ao que se deve perguntar: qual antifeminismo? Aonde é que você está vendo antifeminismo, ou mesmo resquício de antifeminismo, que pudesse ser abandonado? Esses questionamentos são os que seriam feitos caso houvesse de fato, uma massa crítica antifeminista. O simples fato de uma tese como essa circular sem ser devidamente criticada, de maneira sistemática e cabal, traz à luz uma dura verdade: dicas de estilo de vida não se confundem com massa crítica.

Colocados esses pontos, enquanto a política geral se desenrola, o masculinismo tende a permanecer fechado numa espécie de bolha autista, sem repercussões nem influências significativas, com coaches aqui e ali, sem que isso sirva para alterar nada com efetividade, apenas satisfazer carências pontuais de uma massa desorientada e incapaz de agir.

Aqueles que tiverem interesse no assunto manterão, como repete o ditado, um olho no peixe e outro no gato: o que significa dizer que se deve manter, por um lado, em todas as instâncias, oposição reiterada ao sistema socialista e de esquerda, que abriga  e sustenta o feminismo, e por outro verificar de que maneira o problema do feminismo continua sendo abordado por vozes esparsas.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Frei Gilson contra a farsa de gênero: não há feminismo cristão, apenas apostasia disfarçada

 


Submissão, castidade e auxílio ao homem: tudo aquilo que a mulher moderna rejeita. O episódio do Frei Gilson é um esfregão na cara de todas as criptofeministas com fachada cristã, que por décadas vieram sendo acobertadas.

O estouro da polêmica se deveu à abordagem que o clérigo fez durante uma pregação, quando avaliava o papel da mulher de acordo com a Bíblia.

Frei Gilson afirmou que “é claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem o ser chefe”. (...) “Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar. O homem foi dado a ele liderança, mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, desejo de poder. Repito a palavra: empoderamento. Essa palavra é do mundo atual” (...) “a guerra dos sexos é ideologia pura. A guerra de masculino com feminino é diabólica”.

“Olha o texto bíblico: Gênesis 2,18. O quê que tá escrito aí? Vou dar-lhe um auxiliar que lhe seja adequada. Deus faz uma promessa para Adão: "Eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar". Aqui você já começa a entender qual é a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem”.

Seria a Bíblia uma obra machista? Versões recentes têm alterado o termo auxiliar por outro que transmita a ideia de paridade na edificação da vida em comum. Pior, tentou-se cunhar um feminismo cristão, já que o feminismo escrachado já se apresenta enquanto ameaça, a sua versão açucarada e moderada tem maiores chances de aceitação, podendo ser empurrada com interpretações teológicas desvinculadas da tradição e com ânsia de aceitação das oportunidades prazenteiras que o século XXI possibilita, já inaugurada com a revolução sexual da década de 60.

O próprio fato de o liberalismo sexual, que originou o feminismo, ter ganhado validação nos círculos religiosos é um desastre que fala por si. Não preciso recorrer às correntes cristãs de fora do catolicismo, as próprias autoridades eclesiásticas não têm firmado os pés com relação ao papel da mulher numa relação matrimonial. Porém, quando o faz, desperta reações.

Soraya Trambique, um estrume que está prestes a receber a descarga nestas eleições, faz o que qualquer tolete faria se pudesse se manifestar: gritar. Acusou o frei de misoginia e de ser redpill.

A Frente Parlamentar católica de Fortaleza repudiou as declarações da senadora. Algumas defesas disseram que a fala do frei foi colocada fora de contexto, tentando suavizar a situação ao invés de enquadrar as picaretas que partiram para a oposição direta contra o religioso. O que está implícito nessa situação é que a hegemonia da pseudociência das feministas é tal que se considerou um dever do Frei o de se ajoelhar perante os pontos da agenda, fazendo os malabarismos necessários para tornar a Bíblia algo em conformidade com ela. Como a expectativa foi frustrada, gerou reação.

Acredito que muitas noveleiras que assistiam à pregação também podem ter discordado internamente, mas não era a ocasião de travar um debate, no geral as mulheres religiosas têm vergonha de desafiar sacerdotes abertamente.

A verdade é que, seja qual for o contexto, as palavras carregam o seu próprio significado de afirmar aquilo como regra geral.  Sim, o homem detém o papel de liderança, a mulher é sua auxiliar e a interpretação feminista é incompatível com os preceitos bíblicos. Simples assim.

Ninguém está pedindo desculpas, nem vênia, nem arrependido de nada, não existe nenhum ponto da pregação que demande relativização ou explicação suplementar, a não ser para confirmar as lições expostas pelo frei.

Em poucas palavras, Frei Gilson conseguiu tratar do tema do papel da mulher com muito mais competência do que esses bovinos, que querendo puxar a orelha de antifeministas, só conseguiram ser dobrados pela realidade, confeccionando uma autoajuda sabor COF, inócua e patética.

A quadrilha da censura tem demonstrado certa inabilidade na escolha de alvos iniciais para a censura feminista, não sabemos se é um erro de calibragem ou se é um teste consciente para saber até que ponto a sociedade aceita esse tipo de censura. No caso recente de um perfil de instagram chamado “Café com teu pai”, o sujeito foi chamado de redpill quando, ironicamente, apenas produzia conteúdo para mulheres como se fosse uma espécie de mister M dos truques masculinos sentimentais, como se, num sistema milimetricamente montado para blindar abusos feministas o real problema fosse que as mulheres estivessem sendo prejudicadas por alguns homens maus.

Depois de ter sofrido as investidas dos órgãos de Estado, a sua defesa foi no sentido de que ele é “o único que defende as mulheres de verdade”.

Diferente disso, as declarações do frei são altamente pertinentes e traduzem uma verdade inconveniente para os tempos atuais, a de que as mulheres possuem um papel e de que a supremacia feminina foi fabricada artificialmente e não passa de um devaneio. As pseudocatólicas que buscam na sua religião uma validação do que absorveram na anticultura atual bateram com a cara no asfalto, identificá-las é fácil: qualquer uma que tomou partido da senadora anticatólica é uma delas.

Um padre capaz de defender as posições de sua Igreja vale mais que mil coaches masculinistas, a reação do sistema e do complexo de censura edificado ao seu serviço apenas comprova isso. Seguindo a linha estratégica gramscista, a Igreja deveria ser esvaziada e transformada em megafone das ideias do regime e suas atividades convertidas em ativismo típico de ONGs, como a distribuição de pães e quentinhas para vulneráveis.

Se as posições da religião católica forem devidamente colocadas na mesa com o grau de pureza doutrinária, haverá um confronto entre a mulher cristã (do modelo mariano) e aquela que pertence à anticultura, mas gosta de se cercar de apetrechos de catolicismo, postar foto no facebook de si própria com Jesus a abraçando, carregando na manga o versículo de que a prostituta não deve ser apedrejada, do não julgueis, etc...

 

 

 REFERÊNCIAS

Frei Gilson é denunciado por falas sobre mulheres e homossexuais. https://www.brasilparalelo.com.br/noticias/frei-gilson-e-denunciado-por-falas-sobre-mulheres-e-homossexuais

Senadora critica frei Gilson e pede ‘severas providências’ da Igreja por pregação sobre papel da mulher. https://www.acidigital.com/noticia/67797/senadora-critica-frei-gilson-e-pede-severas-providencias-da-igreja-por-pregacao-sobre-papel-da-mulher

 

https://www.instagram.com/reel/DHBSr8EAYeu/

sexta-feira, 24 de abril de 2026

O discurso secreto do General Chi Haotian

 


Tradução para o português do discurso secreto obtido pelo Epoch Times em 2005, também reproduzido em https://jrnyquist.blog/2019/09/11/the-secret-speech-of-general-chi-haotian/

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Camaradas,

Hoje estou muito entusiasmado, porque a pesquisa realizada em longa escala no sina.com mostrou que a nossa próxima geração é bastante promissora e que a causa do nosso partido será levada por diante. Ao responder à pergunta "Você dispararia contra mulheres, crianças e prisioneiros de guerra?", mais de 80% dos inquiridos responderam afirmativamente, excedendo em muito as nossas expectativas.

Hoje, gostaria de me concentrar nas razões que nos levaram a pedir ao sina.com que realizasse essa pesquisa entre os nossos cidadãos. O meu discurso de hoje é uma continuação daquele realizado anteriormente, durante o qual comecei por discutir a questão das três ilhas, [onde] mencionei que 20 anos do tema idílico de "paz e desenvolvimento" tinham chegado ao fim, concluindo que a modernização sob o sabre é a única opção para a próxima fase da China. Também mencionei que temos um interesse vital no ultramar. Hoje, falarei mais especificamente sobre estas duas questões.

A questão central dessa pesquisa parece ser a de saber se se deve disparar contra mulheres, crianças e prisioneiros de guerra, mas o seu verdadeiro significado vai muito para além disso. Aparentemente, a nossa intenção é, sobretudo, descobrir qual é a atitude do povo chinês em relação à guerra: se estes futuros soldados não hesitam em matar mesmo os não combatentes, estarão naturalmente e duplamente prontos matar de forma impiedosa os combatentes. Por conseguinte, as respostas às perguntas à pesquisa podem refletir a atitude geral das pessoas em relação à guerra.

Na verdade, porém, não é essa a nossa intenção genuína. O objetivo do Comité Central do Partido Comunista da China ao realizar essa pesquisa é sondar as mentes das pessoas. Nós queríamos saber: se o desenvolvimento global da China necessitar de mortes em massa em países inimigos, o nosso povo apoiará esse cenário? Serão a favor ou contra?

Como toda a gente sabe, a essência do pensamento do camarada Xiaoping é "o desenvolvimento é a dura verdade". E o camarada Jintao também tem salientado repetidamente e de forma enfática que "o desenvolvimento é a nossa principal prioridade", que não deve ser negligenciada nem por um momento. Mas muitos camaradas tendem a entender o "desenvolvimento" no seu sentido restrito, presumindo que se limita ao desenvolvimento interno. O fato é que o nosso "desenvolvimento" se refere à grande revitalização da nação chinesa, que, claro, não se limita à terra que temos agora, mas inclui também o mundo inteiro.

Por que é que digo isto desta forma?

Tanto o camarada Liu Huaquing, um dos líderes da velha geração do nosso Partido, como o camarada He Xin, um jovem estrategista do nosso Partido, têm sublinhado repetidamente a teoria relativa à mudança do centro da Civilização Mundial. O nosso slogan de "revitalização da China" tem esta forma de pensar como base. Podem consultar os jornais e revistas publicados nos últimos anos ou fazer uma pesquisa na Internet para descobrir quem foi o primeiro a levantar o slogan da revitalização nacional. Foi o camarada He Xin. Sabem quem é He Xin? Pode ter um ar agressivo e desprezível quando fala em público, com as mangas e as calças arregaçadas, mas a sua visão histórica é um tesouro que o nosso Partido deve estimar.

Ao discutir esta questão, comecemos pelo princípio.

Como toda a gente sabe, de acordo com os pontos de vista propagados pelos estudiosos ocidentais, a humanidade como um todo teve origem numa única mãe em África. Por conseguinte, nenhuma raça pode reivindicar superioridade racial. No entanto, de acordo com a investigação levada a cabo pela maioria dos acadêmicos chineses, os chineses são diferentes das outras raças da Terra. Não tivemos origem em África. Em vez disso, originamo-nos de forma independente na terra da China. O Homem de Pequim em Zhoukoudian, que todos conhecemos, representa uma fase da evolução dos nossos antepassados. O "Projeto de Pesquisa das Origens da Civilização Chinesa", atualmente em curso no nosso país, visa uma investigação mais abrangente e sistemática sobre a origem, o processo e o desenvolvimento da antiga civilização chinesa. Costumamos dizer que "a civilização chinesa tem uma história de cinco mil anos". Mas agora, muitos especialistas que se dedicam à investigação em vários domínios, incluindo a arqueologia, as culturas étnicas e as culturas regionais, chegaram ao consenso de que as novas descobertas, como a cultura de Hongshan no nordeste, o recorte de Liangahn na província de Zhejiang, as ruínas de Jinsha na província de Sichuan e a área Cultural do Imperador Yongzhou Shun, na província de Hunan, são provas irrefutáveis da existência das primeiras civilizações chinesas e provam que a história agrícola do cultivo do arroz na China pode ser rastreada até 8.000 a 10.000 anos atrás. Isto refuta o conceito de "cinco mil anos de civilização chinesa".

Portanto, podemos afirmar que somos o produto de raízes culturais de mais de um milhão de anos e de uma única entidade chinesa de dois mil anos. Esta é a entidade chinesa de dois mil anos. Esta é a nação chinesa que se autodenomina "descendentes de Yan e Huang", a nação chinesa de que tanto nos orgulhamos. A Alemanha de Hitler chegou a gabar-se de que a raça alemã era a raça mais superior da Terra, mas o fato é que a nossa nação é muito superior à alemã.

Durante a nossa longa história, o nosso povo espalhou-se pelas Américas e pelas regiões ao longo da orla do Pacífico, tornando-se índios nas Américas e grupos étnicos da Ásia Oriental no Pacífico Sul.

Todos nós sabemos que, devido à nossa superioridade nacional, durante a próspera dinastia Tang, a nossa civilização estava no auge do mundo. Éramos o centro da civilização mundial e nenhuma outra civilização no mundo era comparável à nossa. Mais tarde, devido à nossa complacência, estreiteza de espírito e ao isolamento do nosso próprio país, fomos ultrapassados pela civilização ocidental e o centro do mundo deslocou-se para o Ocidente.

Ao rever a história, podemos perguntar-nos: o centro da civilização mundial voltará a ser a China?

O camarada He Xin afirmou no seu relatório ao Comité Central em 1988: Se o fato é que o centro de liderança do mundo se situava na Europa a partir do século XVIII, e mais tarde se deslocou para os Estados Unidos em meados do século XX, o centro de liderança do mundo deslocar-se-á para o Leste do nosso planeta. E, claro, "o Leste" refere-se principalmente à China.

Na verdade, o camarada Lui Huaquing fez observações semelhantes na década de 1980. Com base numa análise histórica, salientou que o centro da civilização mundial está a mudar. Deslocou-se do Oriente para a Europa Ocidental e depois para os Estados Unidos; agora está a deslocar-se de novo para o Oriente. Por conseguinte, se nos referirmos ao século XIX como o século britânico, e ao século XX como o século americano, então o século XXI será o século chinês.

Compreender conscientemente esta lei histórica e saudar o advento do século chinês é a missão histórica do nosso Partido. Como todos nós sabemos, no final do século passado, construímos em Pequim o Altar do Século Chinês.

No momento exato da chegada do novo milénio, a liderança coletiva do Comité Central do Partido reuniu-se ali para um comício, segurando as tochas de Zhoukoudian, para se comprometer a preparar-se para saudar a chegada do século chinês. Fizemos isso para seguir a lei histórica e estabelecer a realização do século chinês como o objetivo dos esforços do nosso Partido.

Mais tarde, no relatório político do Décimo Sexto Congresso Nacional do nosso Partido, estabelecemos que a revitalização nacional deveria ser o nosso grande objetivo e especificamos explicitamente na nossa nova Constituição do Partido que o nosso Partido é o pioneiro do povo chinês. Todos estes passos marcaram um importante desenvolvimento do marxismo, refletindo a coragem e a sabedoria do nosso Partido. Como todos nós sabemos, Marx e os seus seguidores nunca se referiram a qualquer partido comunista como pioneiro de um determinado povo; nem disseram que a revitalização nacional podia ser usada como slogan de um partido comunista. Mesmo o camarada Mao Zedong, um corajoso herói nacional, apenas ergueu bem alto a bandeira da "revolução proletária global", mas nem ele teve a coragem de dar a mais alta publicidade à palavra de ordem da revitalização nacional.

Temos de saudar a chegada do século chinês erguendo bem alto a bandeira da revitalização nacional. Como é que devemos lutar pela realização do século chinês? Temos de aproveitar as preciosas experiências da história da humanidade, tirando partido da extraordinária fruição da civilização humana e retirando lições do que aconteceu a outros grupos étnicos.

Essas lições incluem o colapso do comunismo na antiga União Soviética e na Europa de Leste, bem como as derrotas da Alemanha e do Japão no passado. Recentemente, tem havido muita discussão sobre as lições do colapso do comunismo na antiga União Soviética e nos países da Europa de Leste, pelo que não me vou alongar sobre elas aqui. Hoje gostaria de falar sobre as lições da Alemanha e do Japão.

Como sabemos, a Alemanha nacional-socialista também colocou grande ênfase na educação do povo, especialmente da geração mais jovem. O partido e o governo nazis organizaram e criaram várias instituições de propaganda e educação, tais como o "Gabinete de Orientação da Propaganda Nacional", o "Departamento de Educação e Propaganda Nacional", o "Gabinete de Supervisão do Estudo e Educação da Visão do Mundo" e o "Gabinete de Informação", todas com o objetivo de incutir nas mentes das pessoas, desde as escolas primárias até às faculdades, a ideia de que o povo alemão é superior e de convencer as pessoas de que a missão histórica do povo ariano é tornar-se o "senhor da terra", cujo direito é "dominar o mundo". Nessa altura, o povo alemão era muito mais unido do que é hoje.

No entanto, a Alemanha foi derrotada com total vergonha, juntamente com o seu aliado, o Japão. Por quê? Chegamos a algumas conclusões nas reuniões de estudo do Politburo, nas quais procurávamos as leis que regiam as vicissitudes das grandes potências e tentávamos analisar o rápido crescimento da Alemanha e do Japão. Quando decidirmos revitalizar-nos com base no modelo alemão, não devemos repetir os erros que eles cometeram.

Concretamente, as causas fundamentais da sua derrota são as seguintes: Em primeiro lugar, tinham demasiados inimigos de uma só vez, pois não aderiram ao princípio de eliminar os inimigos um de cada vez; em segundo lugar, eram demasiado impetuosos, faltando-lhes a paciência e a perseverança necessárias para grandes realizações; em terceiro lugar, quando chegou o momento de serem implacáveis, revelaram-se demasiado brandos, deixando assim problemas que vieram à superfície mais adiante.

Suponhamos que, naquele momento, a Alemanha e o Japão tivessem conseguido manter os Estados Unidos neutros e tivessem travado uma guerra prolongada, passo a passo, na frente soviética. Se tivessem adotado esta abordagem, ganhado algum tempo para fazer avançar suas pesquisas, acabando por conseguir a obtenção da tecnologia das armas nucleares e dos mísseis, com isso lançando ataques surpresa contra os Estados Unidos e a União Soviética utilizando-os, então os Estados Unidos e a União Soviética não teriam sido capazes de se defender e teriam tido de se render. O pequeno Japão, em particular, cometeu um erro flagrante ao lançar o ataque furtivo a Pearl Harbor. Este ataque não atingiu as partes vitais dos Estados Unidos. Em vez disso, arrastou os Estados Unidos para a guerra, para as fileiras dos coveiros que acabaram por enterrar os fascistas alemães e japoneses.

Claro que, se não tivessem cometido estes três erros e tivessem ganhado a guerra, a história ter-se-ia escrito de forma diferente. Se tivesse sido esse o caso, a China não estaria em nossas mãos. O Japão poderia ter transferido a sua capital para a China e tê-la dominado. Posteriormente, a China e toda a Ásia sob o comando do Japão teriam posto em ação a sabedoria oriental, conquistando o Ocidente governado pela Alemanha e unificado o mundo inteiro. Isto é irrelevante, como é óbvio. Acabaram-se as digressões.

Assim, a razão fundamental das derrotas da Alemanha e do Japão é o fato de a história não os ter providenciado para serem os "senhores da terra", pois, afinal, não são a raça mais superior.

Aparentemente, em comparação, a China de hoje é assustadoramente semelhante à Alemanha de então. Ambas se consideram as raças mais superiores; ambas têm uma história de exploração por potências estrangeiras e são, por isso, vingativas; ambas têm a tradição de venerar as suas próprias autoridades; ambas sentem que têm um espaço vital seriamente insuficiente; ambas erguem bem alto as duas bandeiras do nacionalismo e do socialismo e rotulam-se de "nacional-socialismo"; ambas veneram "um Estado, um partido, um líder e uma doutrina".

No entanto, se quisermos comparar a Alemanha com a China, então, como disse o camarada Jiang Zemin, a Alemanha pertence à "pediatria" - demasiado trivial para ser comparada. Qual é a dimensão da população da Alemanha? Qual é a dimensão do seu território? E quão longa é a sua história? Eliminamos oito milhões de tropas nacionalistas em apenas três anos. Quantos inimigos é que a Alemanha matou? Estiveram no poder durante um período transitório de pouco mais de uma dúzia de anos antes de perecerem, enquanto nós continuamos enérgicos depois de termos existido durante mais de oitenta anos. A nossa teoria da deslocação do centro da civilização é, naturalmente, mais profunda do que a teoria dos "senhores da terra" de Hitler. A nossa civilização é profunda e alargada, o que determinou sermos muito mais sábios do que eles.

Os nossos chineses são mais sábios do que os alemães porque, fundamentalmente, a nossa raça é superior à deles. Por isso, temos uma história mais longa, mais pessoas e uma área territorial maior. Nesta base, os nossos antepassados deixaram-nos as duas heranças mais essenciais, que são o ateísmo e a grande unidade. Foi Confúcio, o fundador da nossa cultura chinesa, que nos deu estas heranças.

Este património determinou que tivéssemos uma capacidade de sobrevivência mais forte do que a do Ocidente. É por isso que a raça chinesa tem sido capaz de prosperar durante tanto tempo. Estamos destinados a "não sermos enterrados nem pelo céu nem pela terra", independentemente da gravidade das catástrofes naturais, provocadas pelo homem e nacionais. Esta é a nossa vantagem.

Tomemos como exemplo a reação à guerra. A razão pela qual os Estados Unidos subsistem atualmente é o fato de nunca terem visto uma guerra no seu território continental. Uma vez que os seus inimigos apontassem para o continente, esses inimigos chegariam a Washington antes de o congresso terminar o debate e autorizar o presidente a declarar guerra. Mas para nós, não perdemos tempo com essas coisas triviais. O camarada Deng Xiaoping disse uma vez: A direção do Partido é rápida a tomar decisões. Quando uma decisão é tomada, é imediatamente implementada. Não se perde tempo com coisas triviais como nos países capitalistas. Esta é a nossa vantagem! O centralismo democrático do nosso partido assenta na tradição da grande unidade. Embora a Alemanha fascista também tenha insistido no centralismo de alto nível, apenas se concentrou no poder do líder máximo, mas ignorou a liderança coletiva do grupo central. Foi por isso que Hitler foi traído por muitos mais tarde na sua vida, o que esgotou fundamentalmente a capacidade de guerra dos nazistas.

O que nos distingue da Alemanha é o fato de sermos completamente ateus, enquanto a Alemanha era sobretudo um país católico e protestante. Hitler era apenas meio ateu. Embora Hitler também acreditasse que os cidadãos comuns tinham pouca inteligência e que os líderes deviam, por isso, tomar decisões, e embora o povo alemão venerasse Hitler na época, a Alemanha não tinha a tradição de venerar sábios numa base alargada. A nossa sociedade chinesa sempre venerou os sábios, e isso se deve ao fato de não venerarmos nenhum Deus. Quando se venera um deus, não se pode venerar uma pessoa ao mesmo tempo, a não ser que se reconheça a pessoa como representante do deus, como acontece nos países do Médio Oriente. Por outro lado, quando reconhecemos uma pessoa como um sábio, é claro que queremos que ela seja o nosso líder.... Esta é a base do nosso centralismo democrático.

Em suma, só a China é uma força consistente no resistir ao sistema democrático ocidental baseado no parlamento. A ditadura de Hitler na Alemanha foi talvez apenas um erro momentâneo na história.

Talvez agora tenham compreendido por qual razão decidimos recentemente continuar a promulgar o ateísmo. Se deixarmos que a teologia do Ocidente entre na China e nos esvazie por dentro, se deixarmos que todo o povo chinês ouça Deus e o siga, quem é que nos ouvirá e seguirá obedientemente? Se as pessoas comuns não acreditarem que o camarada Hu Jintao é um líder qualificado, questionarem a sua autoridade e quiserem controlá-lo, se os seguidores religiosos da nossa sociedade questionarem por qual razão estamos a deixar Deus nas igrejas, poderá o nosso Partido continuar a governar a China?

O sonho da Alemanha de ser a "senhora da terra" falhou, porque, em última análise, a história não lhe concedeu essa grande missão. Mas as três lições que a Alemanha aprendeu com a experiência são as que devemos lembrar ao completarmos a nossa missão histórica e revitalizarmos a nossa raça. As três lições são: Agarrar com firmeza o espaço vital do país; agarrar com firmeza o controle do Partido sobre a nação; e agarrar com firmeza a direção geral para se tornar o "senhor da terra".

De seguida, gostaria de abordar estas três questões.

A primeira questão é o espaço vital. Este é o maior foco da revitalização da raça chinesa. No meu último discurso, disse que a luta pelos recursos vivos básicos (incluindo a terra e o oceano) é a fonte da grande maioria das guerras da história. Isto pode mudar na era da informação, mas não fundamentalmente. Os nossos recursos per capita são muito inferiores aos da Alemanha de então. Além disso, o desenvolvimento econômico dos últimos vinte e tantos anos teve um impacto negativo e os climas estão a mudar rapidamente para pior. Os nossos recursos são muito escassos. O ambiente está gravemente poluído, especialmente o solo, a água e o ar. Não só a nossa capacidade de sustentar e desenvolver a nossa raça, mas até mesmo a sua sobrevivência está gravemente ameaçada, a um nível muito superior ao que a Alemanha enfrentava então.

Qualquer pessoa que tenha estado nos países ocidentais sabe que o seu espaço vital é muito melhor do que o nosso. Eles têm florestas ao longo das auto-estradas, enquanto nós quase não temos árvores nas nossas ruas. O céu deles é frequentemente azul com nuvens brancas, enquanto o nosso está coberto por uma camada de neblina escura. A água da torneira deles é suficientemente limpa para ser bebida, enquanto que até a nossa água subterrânea está tão poluída que não pode ser bebida sem ser filtrada. Eles têm poucas pessoas nas ruas, e duas ou três pessoas podem ocupar um pequeno edifício residencial; em contraste, as nossas ruas estão sempre cheias de gente, e várias pessoas têm de partilhar um quarto.

Há muitos anos, havia um livro intitulado "Catástrofes amarelas". Nele se dizia que, devido ao facto de seguirmos o estilo de consumo americano, os nossos recursos limitados não suportariam durante muito tempo a população e a sociedade entraria em colapso assim que a nossa população atingisse 1,3 bilhões. Atualmente, a nossa população já ultrapassou esse limite e estamos a depender das importações para sustentar a nossa nação. Não é que não tenhamos prestado atenção a esta questão. O Ministério dos Recursos Terrestres é especializado nesta questão.

Mas o termo "espaço vital" (lebensraum) está demasiado relacionado com a Alemanha nazi. A razão pela qual não queremos discutir este assunto demasiado abertamente é para evitar que o Ocidente nos associe à Alemanha nacional-socialista, o que, por sua vez, poderia reforçar a ideia de que a China é uma ameaça. Por isso, ao insistirmos na nova teoria de He Xin, "Os direitos humanos são apenas direitos de vida", falamos apenas de "vida", mas não de "espaço", para evitar a utilização da expressão "espaço de vida". Do ponto de vista histórico, a razão pela qual a China se vê confrontada com a questão do espaço vital deve-se ao fato de os países ocidentais terem estabelecido colônias antes dos países orientais. Os países ocidentais estabeleceram colônias em todo o mundo, o que lhes deu uma vantagem na questão do espaço vital. Para resolver este problema, temos de levar o povo chinês para fora da China, para que se possa desenvolver fora da China.

A segunda questão é a nossa concentração na capacidade de liderança do partido no poder. Neste aspeto, saímo-nos melhor do que o partido deles. Embora os nazistas tenham estendido o seu poder a todos os aspectos do governo nacional alemão, não insistiram na sua posição de liderança absoluta como nós fizemos. Não consideraram a questão da gestão do poder do partido como a primeira prioridade, como nós fizemos. Quando o camarada Mao Zedong resumiu os "três tesouros" da vitória do nosso partido na conquista do país, ele considerou que o "tesouro" mais importante era o desenvolvimento do Partido Comunista Chinês (PCC) e o fortalecimento da sua posição de liderança.

Temos de nos concentrar em dois pontos para fortalecer a nossa posição de liderança e melhorar a nossa capacidade de liderança.

O primeiro é promover a teoria dos "Três Representantes", enfatizando que nosso Partido é o pioneiro da raça chinesa, além de ser o pioneiro do proletariado. Muitos cidadãos dizem em privado: "Nunca votamos em vocês, o Partido Comunista, para nos representarem. Como é que se podem arvorar em nossos representantes?"

Não há necessidade de se preocuparem com esta questão. O camarada Mao Zedong disse que se conseguíssemos liderar o povo chinês fora da China, resolvendo a falta de espaço na China, o povo chinês apoiar-nos-ia. Nessa altura, não temos de nos preocupar com os rótulos de "totalitarismo" ou "ditadura". A nossa capacidade de representar para sempre o povo chinês depende da nossa capacidade de liderar o povo chinês para fora da China.

O segundo ponto, se somos capazes conduzir o povo chinês para fora da China, é o fator determinante mais importante da posição de liderança do PCC.

Por que é que digo isto?

Toda a gente sabe que sem a liderança do nosso Partido a China não existiria hoje. Por isso, o nosso maior princípio é proteger a posição de liderança do Partido. Antes de 4 de junho, tínhamos uma vaga noção de que, enquanto a economia chinesa se desenvolvesse, as pessoas apoiariam e adorariam o Partido Comunista. Por isso, tivemos de utilizar várias décadas de tempo de paz para desenvolver a economia da China. Independentemente de qualquer coisa, quer se trate de um gato branco ou de um gato preto, é um bom gato se conseguir desenvolver a economia da China. Mas, nessa altura, não tínhamos ideias amadurecidas sobre a forma como a China iria lidar com os litígios internacionais depois de a sua economia se desenvolver.

O camarada Xiaoping disse então que os principais temas do mundo eram a paz e o desenvolvimento. Mas o motim de 4 de junho deu um aviso ao nosso Partido e nos deu uma lição que ainda está fresca.

A pressão da evolução pacífica da China faz-nos reconsiderar estes dois temas principais do nosso tempo. Verificamos que nenhuma destas duas questões, a paz e o desenvolvimento, está resolvida. As forças oposicionistas ocidentais mudam sempre o mundo de acordo com as suas próprias visões; querem mudar a China e utilizar a evolução pacífica para derrubar a liderança do nosso Partido Comunista. Por conseguinte, se nos limitarmos a desenvolver a economia, continuamos a enfrentar a possibilidade de perder o controle.

O motim de 4 de junho quase conseguiu levar a uma transição pacífica; se não fosse o facto de um grande número de camaradas veteranos ainda estarem vivos e, num momento crucial, terem afastado Zhao Ziyang e os seus seguidores, todos nós teríamos sido presos. Depois de mortos, teríamos tido demasiada vergonha de nos apresentarmos a Marx. Embora tenhamos passado o teste de 4 de junho, depois de o nosso grupo de camaradas seniores ter falecido, sem o nosso controle, a evolução pacífica pode ainda vir a acontecer na China, como aconteceu na antiga União Soviética. Em 1956, suprimiram o incidente húngaro e derrotaram os ataques dos revisionistas de Tito na Jugoslávia, mas não conseguiram resistir a Gorbachev trinta anos mais tarde. Depois da morte desses camaradas pioneiros, o poder do Partido Comunista foi retirado por uma evolução pacífica.

Depois da repressão do motim de 4 de junho, pensamos em como impedir a evolução pacífica da China e em como manter a liderança do Partido Comunista. Pensámos repetidamente, mas não conseguimos encontrar boas ideias. Se não tivermos boas ideias, a China mudará inevitavelmente de forma pacífica e todos nós nos tornaremos criminosos na história. Depois de uma profunda reflexão, chegamos finalmente a esta conclusão: só transformando a nossa força nacional desenvolvida na força de um primeiro ataque para fora - só levando as pessoas a sair - é que podemos ganhar para sempre o apoio e o amor do povo chinês pelo Partido Comunista. Nesse caso, o nosso partido estará em terreno invencível e o povo chinês terá de depender do Partido Comunista. Eles seguirão para sempre o Partido Comunista com seus corações e mentes, como estava escrito em um dístico frequentemente visto no campo há alguns anos: "Ouçam o Presidente Mao, sigam o Partido Comunista!". Por isso, o motim de 4 de junho nos fez compreender que temos de combinar o desenvolvimento econômico com a preparação para a guerra e levar o povo a sair à rua! Por isso, desde então, a nossa política de defesa nacional deu uma volta de 180 graus e, desde então, temos enfatizado cada vez mais a "combinação da paz e da guerra". O nosso desenvolvimento econômico tem tudo a ver com a preparação para as necessidades da guerra! Publicamente, continuamos a enfatizar o desenvolvimento econômico como o nosso centro, mas, na realidade, o desenvolvimento econômico tem a guerra como centro! Fizemos um esforço tremendo para construir "O Projeto da Grande Muralha" para construir, ao longo das nossas fronteiras costeiras e terrestres, bem como à volta das grandes e médias cidades, uma sólida "Grande Muralha" subterrânea que possa resistir a uma guerra nuclear. Estamos também a armazenar todos os materiais de guerra necessários. Por isso, não hesitaremos em travar uma Terceira Guerra Mundial, para levar o povo a sair e assegurar a posição de liderança do Partido. Em qualquer caso, nós, o PCC, nunca sairemos do palco da história! Nós preferimos que o mundo inteiro, ou mesmo o globo inteiro, compartilhe a vida e a morte conosco a sair do palco da história! Não existe uma teoria da "escravatura nuclear"? Quer dizer que, uma vez que as armas nucleares comprometeram a segurança do mundo inteiro, todos morrerão juntos se a morte for inevitável. Na minha opinião, há outro tipo de escravidão, que é o destino do nosso partido estar ligado ao do mundo inteiro. Se nós, o PCC, estivermos acabados, a China estará acabada, e o mundo estará acabado.

A missão histórica do nosso Partido é conduzir o povo chinês a sair. Se tivermos uma visão de longo prazo, veremos que a história nos conduziu a este caminho. Em primeiro lugar, a longa história da China deu origem à maior população do mundo, incluindo chineses na China e no estrangeiro. Em segundo lugar, assim que abrirmos as nossas portas, os capitalistas ocidentais que procuram lucros investirão capital e tecnologia na China para ajudar o nosso desenvolvimento, de modo a poderem ocupar o maior mercado do mundo. Em terceiro lugar, os nossos numerosos chineses no estrangeiro ajudam-nos a criar o ambiente mais favorável à introdução de capital estrangeiro, tecnologia estrangeira e experiência avançada na China. Assim, é garantido que a nossa reforma e a nossa política de portas abertas alcançarão um enorme sucesso. Em quarto lugar, a grande expansão econômica da China conduzirá inevitavelmente à diminuição do espaço de vida per capita do povo chinês, o que incentivará a China a voltar-se para o exterior em busca de novos espaços de vida. Em quinto lugar, a grande expansão econômica da China virá inevitavelmente acompanhada de um desenvolvimento significativo das nossas forças militares, criando condições para a nossa expansão no estrangeiro. Desde o tempo de Napoleão, o Ocidente tem estado alerta para o possível despertar do leão adormecido que é a China. Agora, o leão adormecido está a erguer-se e a avançar pelo mundo, tornando-se imparável!

Qual é a terceira questão que devemos agarrar com firmeza para cumprir a nossa missão histórica de renascimento nacional? É agarrarmo-nos com firmeza à grande "questão da América".

Isto parece ser chocante, mas a lógica é de fato muito simples.

O camarada He Xin apresentou um juízo muito fundamental que é muito razoável. Afirmou no seu relatório ao Comité Central do Partido: O renascimento da China está em conflito fundamental com os interesses estratégicos do Ocidente e, por conseguinte, será inevitavelmente obstruído pelos países ocidentais, que farão tudo o que puderem. Assim, só rompendo o bloqueio formado pelos países ocidentais liderados pelos Estados Unidos é que a China pode crescer e avançar para o mundo!

Os Estados Unidos nos permitirão sair para ganhar um novo espaço vital? Em primeiro lugar, se os Estados Unidos se mantiverem firmes em nos bloquear, dificilmente poderemos fazer algo de significativo em relação a Taiwan, ao Vietnã, à Índia ou mesmo ao Japão, [por isso] quanto mais espaço de vida poderemos obter? Muito trivial! Só países como os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália têm o vasto território para satisfazer a nossa necessidade de colonização em massa.

Portanto, resolver a "questão da América" é a chave para resolver todas as outras questões. Primeiro, isso torna possível para nós ter muitas pessoas migrando para lá e até mesmo estabelecer outra China sob a mesma liderança do PCC. A América foi originalmente descoberta pelos ancestrais da raça amarela, mas Colombo deu crédito à raça branca. Nós, os descendentes da nação chinesa, temos direito à posse da terra! Diz-se que os habitantes da raça amarela têm um estatuto social muito baixo nos Estados Unidos. Temos de libertá-los. Em segundo lugar, depois de resolver a "questão da América", os países ocidentais da Europa curvar-se-iam perante nós, para não falar de Taiwan, do Japão e de outros países pequenos. Portanto, resolver a "questão da América" é a missão designada aos membros do PCC pela história.

Por vezes, penso como é cruel a China e os Estados Unidos serem inimigos que estão destinados a encontrar-se numa estrada estreita! Lembram-se de um filme sobre as tropas do Exército de Libertação lideradas por Liu Bocheng e Deng Xiaoping? O título é alguma coisa como "Batalha Decisiva nas Planícies Centrais". Há um comentário famoso no filme que é cheio de poder e grandeza: "Os inimigos estão destinados a encontrar-se numa estrada estreita, só os corajosos vencerão!" Foi este tipo de espírito de luta para vencer ou morrer que nos permitiu tomar o poder na China continental. É um destino histórico que a China e os Estados Unidos cheguem a um confronto inevitável num caminho estreito e lutem entre si! Os Estados Unidos, ao contrário da Rússia e do Japão, nunca ocuparam e prejudicaram a China, e também ajudaram a China na sua batalha contra os japoneses. Mas serão certamente um obstáculo, e o maior obstáculo! Em longo prazo, a relação entre a China e os Estados Unidos é uma luta de vida ou de morte.

Uma vez, alguns americanos vieram nos visitar e tentaram nos convencer de que a relação entre a China e os Estados Unidos é uma relação de interdependência. O camarada Xiaoping respondeu de forma educada: "Vão dizer ao vosso governo que a China e os Estados Unidos não têm uma relação de interdependência e de dependência mútua". Na verdade, o camarada Xiaoping estava a ser demasiado educado, podia ter sido mais franco: "A relação entre a China e os Estados Unidos é uma relação de luta de vida ou morte." Claro que, neste momento, ainda não é altura de romper abertamente com eles. A nossa reforma e a nossa abertura ao mundo exterior continuam a depender do seu capital e da sua tecnologia, continuamos a precisar dos Estados Unidos. Por conseguinte, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para promover as nossas relações com os Estados Unidos, aprender com eles em todos os aspectos e utilizá-los como exemplo para reconstruir o nosso país.

Como é que gerimos os nossos assuntos externos nestes anos? Mesmo que tenhamos de fazer uma cara sorridente para lhes agradar, mesmo que tenhamos de lhes dar a face direita depois de nos terem batido na face esquerda, temos de continuar a resistir para promover a nossa relação com os Estados Unidos. Lembram-se da personagem de Wuxun no filme "História de Wuxun"? Para cumprir a sua missão, ele suportou muitas dores e levou muitas pancadas e pontapés! Os Estados Unidos são atualmente o país mais bem sucedido do mundo. Só depois de termos aprendido todas as suas experiências úteis é que o poderemos substituir no futuro. Apesar de estarmos atualmente a imitar o tom americano "A China e os Estados Unidos dependem um do outro e partilham a honra e a desgraça", não devemos esquecer que a história da nossa civilização nos ensinou repetidamente que uma montanha não permite que dois tigres vivam juntos.

Também nunca devemos esquecer o que o camarada Xiaoping enfatizou: "Não revelem ambições e ponham os outros fora do caminho". A mensagem oculta é: temos de aturar a América; temos de esconder os nossos objetivos finais, esconder as nossas capacidades e aguardar a oportunidade. Desta forma, a nossa mente está clara. Por que razão não atualizámos o nosso hino nacional com algo pacífico? Porque é que não mudámos o tema do hino, que é a guerra? Em vez disso, ao rever a Constituição desta vez, pela primeira vez especificamos claramente que a "Marcha dos Voluntários" é o nosso hino nacional. Assim, compreenderemos por qual razão estamos constantemente a falar alto sobre a "questão de Taiwan", mas não sobre a "questão americana". Todos nós conhecemos o princípio de "fazer uma coisa a coberto de outra". Se as pessoas comuns só conseguem ver a pequena ilha de Taiwan nos seus olhos, então vós, como elite do nosso país, deveríeis ser capazes de ver o quadro completo da nossa causa. Ao longo destes anos, de acordo com as disposições do camarada Xiaoping, uma grande parte do nosso território no Norte foi cedido à Rússia; acham mesmo que o nosso Comitê do Partido é tolo?

Para resolver a questão da América, temos de ser capazes de transcender as convenções e as restrições. Na história, quando um país derrotava outro país ou ocupava outro país, não conseguia matar todas as pessoas na terra conquistada, porque naquela altura não se podia matar pessoas eficazmente com sabres ou lanças longas, ou mesmo com espingardas ou metralhadoras. Por conseguinte, era impossível conquistar uma extensão de terra sem manter as pessoas nessa terra. No entanto, se conquistássemos a América desta forma, não conseguiríamos fazer com que muitas pessoas migrassem para lá.

Só recorrendo a meios especiais para "limpar" a América é que poderemos levar para lá o povo chinês. Esta é a única opção que nos resta. Não é uma questão de estarmos dispostos a fazê-lo ou não. Que tipo de meios especiais estão à nossa disposição para "limpar a América"?

As armas convencionais, como caças, canhões, mísseis e navios de guerra, não são suficientes; nem as armas altamente destrutivas, como as armas nucleares. Não somos tão insensatos ao ponto de perecer juntamente com a América utilizando armas nucleares, apesar do fato de termos estado a exclamar que vamos resolver a questão de Taiwan custe o que custar. Só utilizando armas não destrutivas que possam matar muitas pessoas é que poderemos reservar a América para nós. Tem havido um rápido desenvolvimento da moderna tecnologia biológica e novas armas biológicas têm sido inventadas uma após outra. É claro que não temos estado inativos, nos últimos anos temos aproveitado a oportunidade para dominar armas deste tipo. De repente, somos capazes de atingir o nosso objetivo de "limpar" a América. Quando o camarada Xiaoping ainda estava entre nós, o Comitê Central do Partido teve a perspicácia de tomar a decisão certa de não desenvolver grupos de porta-aviões e de se concentrar, em vez disso, no desenvolvimento de armas letais que possam eliminar populações maciças do país inimigo.

De uma perspectiva humanitária, deveríamos lançar um aviso ao povo americano e persuadi-lo a abandonar a América e a deixar a terra em que viveu ao povo chinês. Ou, pelo menos, deveriam deixar metade dos Estados Unidos para ser colónia da China, porque a América foi descoberta pelos chineses. Mas será que isto funciona? Se esta estratégia não funcionar, então só nos resta uma opção. Isto é, usar meios decisivos para "limpar" a América e reservar a América para nosso uso num momento. A nossa experiência histórica provou que, desde que façamos isso acontecer, ninguém no mundo pode fazer nada contra nós. Além disso, se os Estados Unidos, como líder, desaparecer, então outros inimigos terão de se render a nós.

As armas biológicas não têm precedentes na sua crueldade, mas se os americanos não morrerem, então os chineses terão de morrer. Se o povo chinês se mantiver preso à terra atual, a sociedade entrará em colapso total. Segundo os cálculos do autor de Yellow Peril, mais de metade dos chineses morrerá, ou seja, mais de 800 milhões de pessoas! Logo após a libertação, a nossa terra amarela suportava cerca de 500 milhões de pessoas, enquanto atualmente o número oficial da população é superior a 1,3 bilhões. Esta terra amarela atingiu o limite da sua capacidade. Um dia, quem sabe quando chegará, o grande colapso ocorrerá a qualquer momento e mais de metade da população terá de partir.

Temos de nos preparar para dois cenários. Se as nossas armas biológicas tiverem êxito no ataque surpresa, o povo chinês poderá reduzir ao mínimo as suas perdas na luta contra os Estados Unidos. Se, no entanto, o ataque falhar e desencadear uma retaliação nuclear por parte dos Estados Unidos, a China sofrerá talvez uma catástrofe em que mais de metade da sua população perecerá. É por isso que temos de estar preparados com sistemas de defesa aérea para as nossas grandes e médias cidades. Seja como for, só nos resta avançar sem medo, a bem do nosso Partido e do nosso Estado e do futuro da nossa nação, independentemente das dificuldades que tenhamos de enfrentar e dos sacrifícios que tenhamos de fazer. A população, mesmo que mais de metade morra, pode reproduzir-se. Mas se o Partido cair, tudo se vai, e para sempre.

Na história chinesa, na substituição de dinastias, os impiedosos venceram sempre e os benevolentes falharam sempre. O exemplo mais típico foi o de Xiang Yu, o rei de Chu, que, depois de derrotar Liu Bang, não continuou a persegui-lo e a eliminar as suas forças, e a sua indulgência resultou na morte de Xiang Yu e na vitória de Liu.... Por isso, devemos sublinhar a importância de adotar medidas resolutas. No futuro, os dois rivais, a China e os Estados Unidos, acabarão por se encontrar numa estrada estreita, e a nossa clemência para com os americanos significará crueldade para com o povo chinês. Neste ponto, algumas pessoas poderão querer perguntar-me: E os vários milhões de compatriotas nossos nos Estados Unidos? Poderão perguntar: não somos contra o facto de chineses matarem outros chineses?

Estes camaradas são demasiado pedantes; não são suficientemente pragmáticos. Se tivéssemos insistido no princípio de que os chineses não devem matar outros chineses, teríamos libertado a China? No que respeita aos vários milhões de chineses que vivem nos Estados Unidos, esta é, evidentemente, uma questão importante. Por isso, nos últimos anos, temos estado a fazer investigação sobre armas genéticas, ou seja, armas que não matam pessoas amarelas. Mas produzir resultados com este tipo de investigação é extremamente difícil.

Entre as pesquisas sobre armas genéticas efetuadas em todo o mundo, Israel é a mais avançada. As suas armas genéticas são concebidas para atingir os árabes e proteger os israelitas. Mas mesmo estas ainda não chegaram à fase de utilização efetiva. Temos cooperado com Israel em algumas investigações. Talvez possamos introduzir algumas das tecnologias utilizadas para proteger os israelitas e remodelar essas tecnologias para proteger o povo amarelo. Mas as suas tecnologias ainda não estão maduras e é difícil para nós ultrapassá-las em poucos anos. Se tiver de passar cinco ou dez anos até que se consiga fazer algum avanço nas armas genéticas, não nos podemos dar ao luxo de esperar mais tempo.

Os velhos camaradas como nós não podem dar-se ao luxo de esperar tanto tempo, porque não temos tanto tempo de vida. Os velhos soldados da minha idade podem esperar mais cinco ou dez anos, mas os do período da guerra anti-japonesa ou os poucos velhos soldados do Exército Vermelho não podem esperar mais.

Por conseguinte, temos de desistir das nossas expectativas relativamente às armas genéticas. Claro que, de outra perspectiva, a maioria dos chineses que vivem nos Estados Unidos tornou-se o nosso fardo, porque foram corrompidos pelos valores liberais burgueses durante muito tempo e seria difícil para eles aceitarem a liderança do nosso Partido. Se sobrevivessem à guerra, teríamos de lançar campanhas no futuro para lidar com eles, para reformá-los. Ainda lembram-se de que, quando acabamos de derrotar o Koumintang (KMT) e de libertar a China continental, tantas pessoas da classe burguesa e intelectuais nos receberam tão calorosamente, mas mais tarde tivemos de lançar campanhas como a "supressão dos reacionários" e o "Movimento Anti-Direitista" para os limpar e reformar? Alguns deles estiveram escondidos durante muito tempo e só foram desmascarados com a Revolução Cultural. A história provou que qualquer agitação social é suscetível de envolver muitas mortes.

Talvez possamos dizer o seguinte: a morte é o motor que faz avançar a história. Durante o período dos três reinos, quantas pessoas morreram? Quando Genghis Khan conquistou a Eurásia, quantas pessoas morreram? Quando os Manchu invadiram o interior da China, quantas pessoas morreram? Não morreram muitas pessoas durante a Revolução de 1911, mas quando derrubámos as Três Grandes Montanhas e durante as campanhas políticas como a "supressão dos reacionários", a "Três Anticampanha" e a "Cinco Anticampanha", morreram pelo menos 20 milhões de pessoas. Ficamos apreensivos com o fato de alguns jovens de hoje tremerem de medo quando ouvem falar de guerras e de pessoas a morrer.

Em tempo de guerra, estávamos habituados a ver pessoas mortas. O sangue e a carne voavam por todo o lado, os cadáveres jaziam aos montes nos campos e o sangue corria como rios. Víamos tudo. Nos campos de batalha, os olhos de toda a gente ficavam vermelhos de morte, porque era uma luta de vida ou morte e só os corajosos sobreviviam.

É de fato brutal matar um ou duzentos milhões de americanos. Mas esse é o único caminho que garantirá um século chinês no qual o PCC liderará o mundo. Nós, como humanitários revolucionários, não queremos mortes. Mas se a história nos confrontar com a escolha entre a morte de chineses e a de americanos, teremos que escolher a segunda, pois, para nós, é mais importante salvaguardar a vida do povo chinês e a vida do nosso partido. Isto porque, afinal de contas, somos chineses e membros do PCC. Desde o dia em que aderimos ao PCC, ao Partido, a vida esteve sempre acima de tudo! A história provará que fizemos a escolha certa.

Agora, quando estou prestes a terminar o meu discurso, provavelmente compreendem por qual razão queríamos saber se o povo se revoltaria contra nós se um dia adotássemos secretamente meios resolutos para "limpar" a América. Há mais de vinte anos que a China goza de paz, e toda uma geração não foi posta à prova pela guerra. Em particular, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, houve muitas mudanças nos formatos da guerra, no conceito de guerra e na ética da guerra. Especialmente desde o colapso da antiga União Soviética e dos Estados comunistas leste europeu, a ideologia do Ocidente passou a dominar o mundo como um todo, e a teoria ocidental da natureza humana e a visão ocidental dos direitos humanos têm sido cada vez mais divulgadas entre os jovens na China. Por conseguinte, não estávamos muito seguros quanto à atitude das pessoas. Se o nosso povo se opõe fundamentalmente a "limpar" a América, teremos, naturalmente, de adotar medidas correspondentes.

Porque não realizámos a pesquisa por meios administrativos em vez de o fazermos através da Internet? Fizemos o que fizemos por uma boa razão.

Em primeiro lugar, fizemo-lo para reduzir as inferências artificiais e para nos certificarmos de que obtivemos os verdadeiros pensamentos das pessoas. Além disso, é mais confidencial e não revelará o verdadeiro objetivo do nosso inquérito. Mas o mais importante é o facto de a maioria das pessoas que podem responder às perguntas em linha pertencer a grupos sociais relativamente instruídos e inteligentes. São os grupos mais fortes e dirigentes que desempenham um papel decisivo entre o nosso povo. Se nos apoiarem, o povo como um todo nos seguirá. Se se opuserem a nós, desempenharão o perigoso papel de incitar as pessoas e criar distúrbios sociais.

O que acabou por ser muito reconfortante é que não entregaram um teste em branco. De fato, entregaram um teste com uma pontuação superior a 80. Este é o excelente resultado do trabalho de propaganda e educação efetuado pelo nosso Partido ao longo das últimas décadas.

É claro que algumas pessoas sob influência ocidental se opuseram a que se disparasse contra prisioneiros de guerra, mulheres e crianças. Estarão todos loucos? Outros disseram: "Os chineses adoram rotular-se como um povo amante da paz, mas na verdade são o povo mais cruel. Os comentários ressoam a matança e o assassínio, causando arrepios no meu coração".

Apesar de não haver muitas pessoas com este tipo de opinião e de não afetarem a situação geral de forma significativa, temos de reforçar a propaganda para responder a este tipo de argumentos.

Isto é, propagar vigorosamente o último artigo do camarada He Xin, que já foi comunicado ao governo central. Podem consultá-lo no sítio Web.

Se entrar no sítio Web utilizando palavras-chave para pesquisar, descobrirá que, há algum tempo, o camarada He Xin indicou ao Hong Kong Business News, durante uma entrevista, que: "Os EUA têm uma conspiração chocante". De acordo com o que tinha em mãos, de 27 de setembro a 1 de outubro de 1995, a Fundação Mikhail Sergeevich Gorbachev, financiada pelos Estados Unidos, reuniu 500 dos mais importantes estadistas, líderes económicos e cientistas do mundo, incluindo George W. Bush (que não era presidente dos EUA na altura), a Baronesa Thatcher, Tony Blair, Zbigniew Brzezinski, bem como George Soros, Bill Gates, o futurista John Naisbitt, etc., todos os personagens mais populares do mundo, no hotel Fairmont de São Francisco para uma mesa redonda de alto nível, discutindo problemas sobre a globalização e como orientar a humanidade para avançar no século XXI. De acordo com o que He Xin tinha em mãos, as pessoas de destaque do mundo presentes pensavam que no século XXI apenas 20% da população mundial seria suficiente para manter a economia e a prosperidade do mundo, os outros 80% ou 4/5 da população mundial seriam lixo humano incapaz de produzir novos valores. As pessoas presentes pensaram que esta população excedente de 80 por cento seria uma população de lixo e que deveriam ser utilizados meios de "alta tecnologia" para eliminá-la gradualmente.

Uma vez que os inimigos estão a planear secretamente a eliminação da nossa população, não podemos certamente ser infinitamente misericordiosos e compassivos para com eles. O artigo do camarada He Xin saiu no momento certo, provou a correção da nossa abordagem de batalha tit for tat (...) [e] a grande previsão do camarada Deng Xiaoping para se posicionar contra a estratégia militar dos Estados Unidos.

É claro que, ao divulgar as opiniões do camarada He Xin, não podemos publicar o artigo nos jornais do Partido, para evitar aumentar a vigilância do inimigo. A conversa de He Xin pode lembrar ao inimigo que dominamos a ciência e a tecnologia modernas, incluindo a tecnologia nuclear "limpa" e a tecnologia de armas biológicas, e que podemos usar medidas poderosas para eliminar a sua população em grande escala.

O último problema de que quero falar é o da firmeza dos preparativos para a batalha militar.

Atualmente, estamos na encruzilhada de avançar ou recuar. Alguns camaradas viram os problemas a inundar todo o nosso país - o problema da corrupção, o problema das empresas públicas, o problema das contas mal pagas dos bancos, os problemas ambientais, os problemas de segurança da sociedade, os problemas da educação, o problema da AIDS, vários problemas de recurso, até o problema dos motins. Estes camaradas vacilaram na determinação de se prepararem para as batalhas militares. Pensavam: primeiro, deviam agarrar o problema da reforma política, ou seja, a nossa própria reforma política está em primeiro lugar. Depois de resolvermos os problemas internos, podemos então lidar com o problema da batalha militar no estrangeiro.

Isto me faz lembrar o período crucial da Revolução Chinesa, em 1948. Nessa altura, os "cavalos do Exército de Libertação Popular estavam a beber água" no rio Yangtze, mas enfrentavam situações extremamente complexas e problemas difíceis em todas as zonas libertadas, e a autoridade central recebia diariamente relatórios de emergência. O que fazer? Deveríamos parar para gerir primeiro as zonas da retaguarda e os assuntos internos antes de avançar, ou avançar para passar o rio Yangtze com um esforço vigoroso? O Presidente Mao, com a sua extraordinária sabedoria e coragem, deu a ordem de marcha "Continuar a revolução até ao fim" e libertou toda a China. Os problemas conflituosos anteriormente considerados "graves" foram todos resolvidos nesta grande onda revolucionária que avançava.

Agora, parece que estamos no mesmo período crítico que os "cavalos estavam a beber água" nos dias do rio Yangtze na era revolucionária, desde que resolvamos o problema dos Estados Unidos de um só golpe, os nossos problemas internos serão todos prontamente resolvidos. Por isso, a nossa preparação para a batalha militar parece visar Taiwan, mas na realidade visa os Estados Unidos, e a preparação vai muito além do objetivo de atacar porta-aviões ou satélites.

O marxismo salientou que a violência é a parteira para o nascimento do século da China. À medida que a guerra se aproxima, sinto-me cheio de esperança para a nossa próxima geração.

 


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